Candidato estará no Rio Grande do Sul nesta quarta e não participará da apreciação presencialmente 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ) usou as redes sociais para parabenizar presidente por entrevista no Jornal Nacional — Foto: Cristiano Mariz /Agência O Globo O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, voltou ao Senado nesta terça-feira para acompanhar o esforço concentrado do Congresso, mas evitou antecipar como votará na proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1 (seis dias de trabalho e um de descanso na semana), prevista para ser analisada nesta quarta-feira pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. O senador, que interrompeu por um dia as agendas de campanha para permanecer em Brasília, estará no Rio Grande do Sul no momento da sessão e indicou que poderá participar da votação remotamente. A indefinição ocorre no momento em que Flávio tenta construir uma alternativa à redução da jornada defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sem se colocar frontalmente contra uma medida com amplo apoio popular. O presidenciável defendeu que o trabalhador tenha liberdade para definir sua própria jornada e afirmou que votará a favor dessa proposta, mas se recusou a dizer o que fará se o texto que acaba com a 6x1 for colocado em votação. — Vou estar em agenda no Rio Grande do Sul. Hoje estamos aqui no esforço concentrado e amanhã vou estar no Rio Grande do Sul. Mas acho que vai poder votar remotamente, né? — afirmou. A PEC é o primeiro item da pauta da CCJ nesta quarta-feira e tem parecer favorável do relator, Omar Aziz (PSD-AM). O texto reduz de 44 para 40 horas a jornada semanal máxima e estabelece dois dias de repouso remunerado por semana, sem redução salarial. A proposta foi aprovada pela Câmara em maio e, se passar pela comissão, ainda precisará ser votada em dois turnos pelo plenário do Senado. A posição coloca Flávio diante de uma escolha que sua campanha vinha tentando evitar. Votar contra o fim da escala 6x1 significaria se opor a uma mudança apoiada por 69% dos brasileiros, segundo pesquisa Quaest realizada em julho. Aderir à PEC, por outro lado, contrariaria a alternativa que o candidato passou a defender e encontraria resistência em setores do empresariado preocupados com o impacto da redução da jornada sobre os custos trabalhistas. Quer acompanhar de perto o noticiário das eleições? Participe da comunidade do GLOBO no WhatsApp Foi para tentar escapar dessa polarização que Flávio passou a defender uma terceira posição. Em vez de fixar uma nova jornada na Constituição, o senador propõe flexibilizar as relações de trabalho e permitir que cada trabalhador defina quanto pretende trabalhar, com remuneração proporcional à jornada escolhida. Nesta terça-feira, voltou a apresentar essa alternativa ao ser questionado sobre a votação da PEC. — A minha posição é a alternativa melhor que nós estamos dando, de liberdade total para o trabalhador poder fazer a sua própria escala. Tem muita mulher, por exemplo, que não consegue trabalhar sete ou oito horas por dia para cumprir essa escala engessada que o governo está propondo. Ela pode trabalhar, de repente, meio período só, quatro horas por dia. Então vamos dar liberdade para que o trabalhador possa fazer a sua própria escala, com todos os direitos trabalhistas garantidos na Constituição. Flávio, porém, não esclareceu como essa posição se traduzirá em voto quando a PEC for analisada. Questionado diretamente se votaria contra o texto, respondeu que defenderá a proposta própria. — Vamos defender o nosso texto, que é a liberdade do trabalhador. Perguntado novamente qual voto registraria no painel, respondeu: — A favor da nossa proposta. Ao ser questionado sobre o que faria caso a alternativa defendida por sua campanha fosse analisada primeiro e derrotada, Flávio deixou a decisão em aberto: — Primeiro vota a nossa proposta e depois vê o que faz. A insistência nas perguntas sobre o voto provocou reação do presidenciável. — Vocês estão querendo arrancar uma palavra da minha boca. O que vocês querem é uma resposta que eu não vou dar para vocês. Eu vou votar a favor da nossa proposta, já estou falando. Vamos votar a nossa primeiro. A postura explicita o dilema que já vinha sendo discutido por integrantes da campanha. No entorno de Flávio, há o reconhecimento de que simplesmente votar contra o fim da 6x1 deixa o candidato vulnerável a ataques de Lula e permite ao petista apresentar a direita como adversária da redução da jornada. Ao mesmo tempo, abraçar a PEC significaria abandonar a tentativa de construir uma alternativa própria e poderia gerar desgaste com segmentos empresariais. A movimentação de Flávio ocorre em paralelo à estratégia do líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), para dificultar uma aprovação rápida da PEC. Marinho pretende recorrer a instrumentos regimentais para ampliar a discussão, como a análise das emendas apresentadas e a resistência a acordos que permitam abreviar os prazos para uma eventual votação em plenário. O relatório apresentado por Omar Aziz mantém o texto aprovado pela Câmara. Além da redução da jornada semanal para 40 horas, a PEC prevê dois dias de repouso remunerado, sem redução salarial. A mudança seria gradual: 60 dias depois da promulgação, a jornada máxima cairia inicialmente para 42 horas e, após 12 meses, para 40 horas. A proposta preserva a possibilidade de acordos e convenções coletivas para regimes diferenciados e prevê exceções para determinadas categorias. Para ser aprovada definitivamente, depois da CCJ, a PEC precisará do apoio de pelo menos 49 dos 81 senadores em dois turnos de votação no plenário. Flávio deixa Brasília nesta quarta-feira e retoma a campanha no Rio Grande do Sul. O candidato participará de uma feira de agronegócio e fará gravações para o horário eleitoral de aliados no estado, entre eles o candidato ao governo Luciano Zucco (PL-RS).