Megaoperação na RefitPolícias arrombam porta de refinaria considerada uma das maiores devedoras de impostos do País. Crédito: Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos do Estado de São Paulo (Cira-SP)Gerando resumoA falência da Refit chega menos de dez anos depois de a companhia ter adotado novo nome na tentativa de melhorar a imagem, abalada por escândalos e pela reputação de má pagadora de impostos. Inaugurada com o nome de Refinaria de Petróleos de Manguinhos, há sete décadas, em 14 de dezembro de 1954, a empresa acumulou nos anos mais recentes conflitos com governantes estaduais e federais, órgãos de regulação e autoridades policiais. Nos últimos meses, foi alvo de operações em sequência.Após uma delas, a Operação Sem Refino, deflagrada na manhã de 15 de maio passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou que, desde o fim do ano passado, havia pedido ajuda ao presidente do Estados Unidos, Donald Trump, para prender e extraditar o empresário e ex-advogado Ricardo Magro, que comandava a empresa.Em 2025, Refit ainda faturava mais de R$ 1 bilhão por mês, segundo governo do Rio de Janeiro Foto: Fernando Soutello PUBLICIDADEA situação da Refinaria de Manguinhos se agravou um ano antes da falência, após a deflagração da Operação Carbono Oculto, em agosto passado. As autoridades investigam se o combustível da Refit abasteceria redes de postos de gasolina controladas pelo PCC. Em outubro, a Receita Federal apreendeu dois navios com carga que ia para Manguinhos.As últimas semanas da RefitNo início deste agosto, mês que seria encerrado com a decretação da falência, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) havia aprovado por unanimidade a revogação da autorização de operação da refinaria. Em paralelo, o Estado do Rio de Janeiro havia pedido à Justiça que a recuperação judicial do Grupo Manguinhos, controlador da Refit, fosse convertida em falência. PublicidadeO governo fluminense argumentou que, depois de faturar mais de R$ 1 bilhão por mês, em 2025, a companhia viu as receitas despencarem até chegar a faturamento praticamente zero no início de 2026.Abaixo, acompanhe uma cronologia dos últimos anos da Refit.2025Uma megaoperação na manhã de 27 de novembro cumpriu mandados de busca e apreensão contra 190 alvos ligados ao Grupo Refit e dezenas de outras empresas do setor de combustíveis.PublicidadeDois meses antes, em 26 de setembro, a ANP e a receita anunciaram a interdição da refinaria, por diversas irregularidades encontradas na unidade após operação.A refinaria vinha sendo alvo das autoridades desde que a Polícia Federal deflagrou a operação Carbono Oculto, em 28 de agosto, mostrando como o PCC usava redes de postos de gasolina e instituições financeiras instaladas na Avenida Faria Lima, em São Paulo, para lavar dinheiro do crime. Parte do combustível que irrigava os postos do PCC era produzido na refinaria, segundo a PF, e vendido por distribuidoras ligadas à Refit.2017A empresa, já em recuperação judicial, anunciou que queria pagar as dívidas aos governos estaduais e investir no negócio para aproveitar o esperado crescimento do mercado de combustíveis. Para marcar esse novo ciclo, passou a se chamar Refit.PublicidadePUBLICIDADENa ocasião, a refinaria estava em uma briga, já de anos, para que os Estados nos quais atuava recebessem precatórios (pagamentos devidos pelo governo após condenações definitivas na Justiça) como forma de quitar tributos. A disputa rendeu à empresa, à época, uma conta de R$ 4,2 bilhões em ICMS a pagar pelos cálculos de Rio, São Paulo e Paraná e acusações de ser devedora contumaz e de praticar inadimplência fraudulenta e sonegação.Leia tambémQuem é Ricardo Magro, apontado como devedor contumaz, foragido e alvo de nova operaçãoJustiça do Rio decreta falência das empresas do Grupo RefitMegaoperação da Receita e MP de SP mira 190 suspeitos da Refit, acusada de sonegar R$ 26 bi2012-2014Em 2012, o então governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, decretou a desapropriação do terreno da refinaria, o que forçou a companhia a reduzir a operação. A empresa entrou com pedido de recuperação judicial. O Supremo Tribunal Federal revogou o decreto de desapropriação em 2014.PublicidadeVale ler tambémSplit payment, CNPJ técnico: o que ainda falta para a reforma tributária começar de verdade em 2027?Em plena expansão, Coamo mira R$ 30 bi em faturamentoA baixa produtividade do trabalho é um dos principais limitadores do crescimento de uma economia
O fim da Refit: entre escândalos, refinaria até mudou de nome para tentar melhorar reputação
Em 2017, a Refinaria de Manguinhos, já com fama de má pagadora de impostos, buscou nova imagem, mas sucumbiria aos embates com governos, órgãos de regulação e autoridades policiais










