Diante do dilema de ver as condições de vida ruírem à nossa volta, uma inércia gigantesca parece ter tomado conta daqueles que ainda se preocupam com o país. Como justificaremos nossa omissão histórica?
Matar pobres em vez de eliminar a pobreza, impor a própria religião, defender o fim ou a subordinação do voto feminino, propor a intervenção norte-americana no Brasil e, cereja do bolo, promover uma ditadura são posições que não parecem abalar a maioria dos ouvintes atuais.
Quando o cinismo impera, fica quase impossível denunciar os descalabros, uma vez que as pessoas se vangloriam dos crimes e das injustiças que defendem ou cometem em vez de se envergonhar.
Qual a peculiaridade desta eleição, na qual nós, que nos dizemos defensores da democracia —palavra que aparece até na boca de golpista— nos mostramos embotados, inertes, diante do altíssimo risco de desastre que vem sendo anunciado pelas pesquisas?
Quando as reais opções são um governo com erros conhecidos e preocupantes no plano econômico, de um lado, e, do outro, um sujeito que conspira abertamente contra o Estado de Direito, envolvido no maior escândalo financeiro do país e com milícias, qual a hesitação possível?







