Qual é o principal problema do país? Faço aqui a minha aposta. Nos últimos tempos, atribuí nossas mazelas à polarização política e ao enfraquecimento do centro democrático. Continuo convencido de que são questões prementes. Basta lembrar que, em outubro, pela terceira vez, o Brasil optará entre dois candidatos rejeitados igualmente por metade dos eleitores. Mas o beco ao qual o populismo nos conduziu é consequência, não causa.
Entendo que o entrave central é a degradação da capacidade de representação, mediação e construção de consensos da nossa democracia. Vivemos uma grave crise de governança, que trava a implementação das melhorias que o país demanda.
Sem capacidade de representar os diferentes interesses da sociedade, arbitrar conflitos, estabelecer prioridades e articular maiorias políticas, o país permanecerá abaixo do seu potencial.
Nossas instituições e mecanismos políticos responsáveis por construir projetos coletivos para a evolução socioeconômica perderam força, legitimidade e eficiência. E, nesse vazio, entre outras mazelas, emergiu ainda mais o populismo, que se alimenta de ilusão e maniqueísmo.
Há convergência entre especialistas: o Brasil só ingressará em uma trajetória sustentada de prosperidade se conseguir realizar um conjunto de reformas estruturais e melhorias incrementais na economia, na gestão pública, no sistema político, na educação, na saúde, na segurança e na agenda climática.









