Aliados do presidente Lula (PT) afirmam avaliar, em conversas reservadas, que a percepção do eleitorado sobre preços e endividamento é um risco maior para a campanha de reeleição do petista do que as acusações contra um de seus filhos por suposto envolvimento em lobby para venda de medicamentos ao Ministério da Saúde.

Lula e seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), entraram em uma disputa explícita sobre a saúde da economia, que se intensificou a partir do pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia.

O presidente e seus aliados afirmam que, com exceção da taxa de juros (hoje em 14% ao ano), têm bons resultados econômicos para apresentar ao eleitorado, como baixo desemprego e inflação controlada. Mas admitem que os juros pioram o endividamento da população e das empresas e que tem sido um desafio colher os dividendos de medidas, como a isenção de Imposto de Renda.

A gestão do petista tem sido criticada pelo aumento da dívida pública, que chegou a 82,5% do PIB (Produto Interno Bruto). A crise em empresas do varejo, turbinada pelos juros altos, também tem sido usada por advesários.

Flávio constatou que o tema ressoa e tem explorado a crise das Casas Bahia e os preços dos alimentos.