Neste 31 de agosto de 2026, completam-se 10 anos do golpe parlamentar contra a presidenta Dilma Rousseff. Nessa década, os conflitos políticos e sociais no Brasil se agravaram. Passamos a conviver com uma extrema-direita forte eleitoral e culturalmente, que não esconde que seu objetivo é acabar com a democracia e com a soberania brasileira.
Durante alguns anos, quem chamava de golpe aquele processo de impeachment foi desqualificado. Nas ciências sociais em geral e na ciência política em particular, fomos chamados de militantes e parciais. Ainda assim, seguimos argumentando contra aquela destituição, denunciando, sim, que ela foi ilegal e que constituiu uma ruptura com a ordem democrática de 1988.
Ser taxado de militante nunca foi um problema, muito pelo contrário. É motivo de orgulho saber que produzo um conhecimento crítico e engajado na defesa da democracia e no combate às desigualdades. Por isso mesmo, chamar o impeachment de Dilma de golpe parlamentar nunca foi apenas uma bandeira militante. Sempre foi, também, um esforço de interpretação sobre as causas da ascensão e consolidação da extrema-direita no Brasil e de reflexão sobre como podemos derrotá-la definitivamente.
Assim, é importante afirmar que, agora, em 2026, temos um acúmulo consistente de pesquisa nas Ciências Sociais e na Ciência Política que caracteriza aquele processo como golpe e demonstra seus vínculos com a força do bolsonarismo no Brasil.











