Em 31 de agosto de 2016, o Senado aprovou por 61 votos a 20 a perda do mandato da primeira mulher eleita presidente do Brasil, Dilma Rousseff (PT). O então vice Michel Temer (PMDB) assumiu e passou a governar com uma base que havia sido fundamental para a derrubada da petista. O PT foi para a oposição e o PSDB, que havia liderado a contestação ao governo, parecia ocupar o espaço de principal força partidária. Nenhuma dessas posições duraria muito.
A década seguinte produziu uma sucessão de inversões. O Congresso ampliou seu controle sobre o Orçamento, o PSDB perdeu espaço, o PT sobreviveu ao período mais difícil de sua história e voltou ao Palácio do Planalto. Jair Bolsonaro (então no PSC, hoje no PL), à época um deputado insignificante, ganhou projeção nacional na votação do impeachment, foi eleito presidente e, anos depois, acabou condenado pelo Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado.
Eduardo Cunha (então no PMDB, hoje no Republicanos), o presidente da Câmara que abriu o processo contra Dilma, perdeu o mandato, foi preso e passou a enfrentar uma longa batalha judicial. Dilma, derrotada na tentativa de se eleger senadora por Minas Gerais em 2018, ocupa hoje uma posição que nenhum dos “vencedores” do impeachment provavelmente imaginava para ela: preside o Novo Banco de Desenvolvimento, o Banco do Brics, e foi reconduzida ao cargo até 2030.









