"Somos artistas! Independentemente de raça, cor, gênero, patologia, condição social. É artista e pronto. Não tem que ser rotulado a nada", diz a artista Esther Morgannah. Sua fala sintetiza a proposta de "Uma Língua Nova", exposição na Galeria Estação, em São Paulo, que reúne cerca de 60 obras de artistas com transtornos mentais, como Josef Hofer, Aurelino dos Santos, Ranchinho e a própria Morgannah.

Com curadoria de José Augusto Ribeiro, a mostra desloca essas produções do campo do diagnóstico para o da linguagem, chamando atenção para seus modos particulares de criar e interpretar o mundo.

A exposição é a primeira coletiva da galeria dedicada a esse recorte, após a instituição ter apresentado individualmente muitos desses artistas. Ao reuní-los, Ribeiro não pretende estabelecer uma categoria comum a partir de condições psíquicas, mas evidenciar técnicas e linguagens que atravessam seus trabalhos.

"A principal afirmação da exposição é que há uma linguagem em formação em cada uma dessas obras", diz o curador. Por isso, a montagem reúne grupos de trabalho dos artistas e apresenta vários momentos de suas trajetórias.

No caso de Aurelino, por exemplo, uma obra dos anos 1960 convive com trabalhos feitos no fim dos anos 1990. Já Ranchinho aparece com trabalhos que vão dos anos 1980 aos 2000. A intenção, explica Ribeiro, é mostrar que não se trata de uma pontualidade, voltada só a uma atividade terapêutica, mas de uma obra em constituição ou já constituída.