Entendimento colocará sob controle de Washington 65 bilhões de barris de petróleo recuperável, volume superior ao total das reservas americanas comprovadas, de 46 bilhões de barris 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Plataformas de petróleo e unidades de bombeio no Lago de Maracaibo, enquanto moradores da região de Maracaibo, no Estado de Zulia, importante polo petrolífero, ainda têm dúvidas sobre novos investimentos após recentes reformas legislativas que ampliaram a participação privada na PDVSA e buscam revitalizar o setor de petróleo do país, em Cabimas, Venezuela, em 26 de janeiro de 2026 — Foto: REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria/Foto de arquivo Um gigantesco acordo de petróleo de longo prazo que deve dar aos Estados Unidos acesso a um quinto das reservas de petróleo bruto da Venezuela está levando especialistas em energia e advogados a questionar sua legalidade e eventual execução, além de cobrar dos dois governos maior transparência sobre os contratos. O acordo sem precedentes, anunciado pelo presidente Donald Trump na sexta-feira e confirmado pela presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, colocará sob controle de Washington 65 bilhões de barris de petróleo recuperável, volume superior ao total das reservas comprovadas dos EUA, de 46 bilhões de barris. O acordo não passou por um processo competitivo, e suas negociações permaneceram em segredo até a semana passada, mesmo em meio a uma ampla reforma da principal lei de hidrocarbonetos da Venezuela e à migração de dezenas de joint ventures e contratos para novas condições, processo que autoridades e operadores ainda não concluíram. Embora Trump tenha dito em uma publicação nas redes sociais na semana passada que o acordo envolveria “uma parceria com empresas privadas”, os Estados Unidos não revelaram quais companhias estão se preparando para operar os campos de petróleo em seu nome. A North American Blue Energy Partners (Nabep), empresa liderada pelo controverso investidor venezuelano Alejandro Betancourt e que tem atuado como uma ponte entre Caracas e Washington, disse ao New York Times que espera trabalhar com os Estados Unidos, em meio a reportagens segundo as quais a companhia deverá participar do acordo. “Se o objetivo era tentar reduzir o risco de investir na Venezuela, os Estados Unidos podem estar fazendo exatamente o contrário com essa transação: enfraquecendo ainda mais o já frágil arcabouço institucional do país”, disse Luisa Palacios, pesquisadora sênior adjunta do Centro de Política Energética Global da Universidade Columbia. Segundo a presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, o acordo terá duração de pelo menos 25 anos, em linha com a Lei de Hidrocarbonetos do país membro da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep,) e garantirá US$ 100 bilhões em investimentos e US$ 209,3 bilhões em royalties e impostos, o que deixaria cerca de US$ 19 para a Venezuela por barril produzido. Especialistas manifestaram dúvidas sobre a legalidade do acordo, sobretudo porque caberá aos Estados Unidos, e não à Venezuela, escolher o modelo e as empresas que operarão os campos. “Apesar de ser formalmente reconhecido pelos EUA, o acordo poderá ser questionado judicialmente no futuro”, disse Juan Carlos Apitz, diretor da Faculdade de Direito da Universidade Central da Venezuela. A Casa Branca encaminhou as perguntas da Reuters ao Departamento de Energia dos Estados Unidos, que não respondeu a um pedido de comentário. O Ministério do Petróleo da Venezuela e a estatal de energia PDVSA também não responderam aos pedidos de comentário. A receita tributária que o país sul-americano deverá receber também parece ficar abaixo do que determina a legislação. “Os impostos a serem arrecadados, anunciados pelo governo interino, são incrivelmente baixos”, escreveu Francisco Monaldi, do Instituto Baker da Universidade Rice, nas redes sociais no sábado. Ele criticou o que classificou como falta de transparência em torno da política petrolífera venezuelana, que está sob supervisão dos Estados Unidos desde a captura do presidente Nicolás Maduro, em janeiro. Um pedestre passa por um mural que retrata poços de petróleo em Caracas, Venezuela, no sábado, 29 de agosto de 2026, um dia depois de o presidente Donald Trump anunciar um acordo que dá aos Estados Unidos participação nas reservas de petróleo da Venezuela — Foto: AP Photo/Pedro Mattey O que é tecnicamente viável? Os 65 bilhões de barris virão de 17 campos de petróleo, com a maior parte das reservas concentrada em oito grandes blocos na vasta Faixa do Orinoco, principal região produtora da Venezuela, e as áreas restantes distribuídas pelo Lago de Maracaibo, tradicional polo petrolífero do país e carente de investimentos, conforme uma lista vista pela Reuters. Uma análise da consultoria Gas Energy Latin America, com sede em Caracas, concluiu que os campos contêm 63,7 bilhões de barris de reservas comprovadas, calculadas com base em um fator de recuperação de 20%, tecnicamente viável, embora ainda não alcançado. O esgotamento das reservas recuperáveis deverá levar mais de 25 anos, segundo alguns especialistas. As áreas, no entanto, oferecem aos Estados Unidos uma combinação de ativos em campos novos e maduros, permitindo ao operador começar com uma base de produção destinada à exportação que poderá crescer à medida que sejam concluídos os reparos de infraestrutura no Lago de Maracaibo e implementados os planos de desenvolvimento das áreas ainda não exploradas da Faixa do Orinoco, que contêm petróleo extrapesado. A participação de 55% pretendida pelos Estados Unidos na parceria ampliaria ainda mais o volume de petróleo venezuelano enviado ao país, que atualmente recebe cerca de 60% das exportações totais da Venezuela. Diante da pressão política provocada pela alta dos preços da gasolina em meio ao conflito em curso com o Irã, Trump afirmou no domingo que os novos barris venezuelanos ajudarão a recompor a Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos, que neste mês caiu para 290 milhões de barris, perto do menor nível em 44 anos. Uma chama de gás queima na refinaria de Cardón, parte do Complexo de Refino de Paraguaná, enquanto anos de falta de investimentos, falhas em equipamentos e escassez prejudicam a produção de combustíveis na Venezuela, em Punta Cardón, Venezuela, em 6 de maio de 2026 — Foto: REUTERS/Gaby Oraa/Foto de arquivo
Especialistas questionam legalidade de acordo de petróleo entre EUA e Venezuela
Entendimento colocará sob controle de Washington 65 bilhões de barris de petróleo recuperável, volume superior ao total das reservas americanas comprovadas, de 46 bilhões de barris











