No Nepal, as autoridades confirmaram 903 mortes e 4.247 desaparecidos na região atingida, próxima à fronteira com a China. Familiares lotaram centros de resgate e hospitais em busca de informações sobre parentes desaparecidos. Outros tiveram de enfrentar a identificação de corpos em necrotérios improvisados e sobrecarregados. No Nepal, 933 trabalhadores de usinas hidrelétricas estão entre os desaparecidos. No último domingo (30), soldados e engenheiros do Exército nepalês perfuraram os escombros para tentar chegar a trabalhadores que podem ter ficado presos em um túnel de uma usina hidrelétrica no vale do rio Himalaia. As equipes conseguiram inserir um tubo no túnel para ajudar no resgate. Trabalhadores que conseguiram escapar relataram cenas de destruição. Surendra Dowluri, de 33 anos, natural do estado indiano de Andhra Pradesh, disse que uma forte correnteza atingiu o local onde trabalhava. "Ouvi­mos um som muito forte... e vimos que o andar da turbina estava submerso em lama. Seis trabalhadores ficaram presos ali", disse Dowluri à AFP após ser resgatado, quatro dias depois do desastre. "Conseguimos resgatar cinco deles, mas uma pessoa morreu", afirmou. Segundo ele, outros trabalhadores conseguiram chegar a áreas mais altas ou a partes da usina que não foram atingidas pela correnteza. LEIA TAMBÉM Corpos são identificados por DNA O desastre começou com o colapso parcial de uma geleira. A grande quantidade de água e detritos transformou um rio em uma correnteza que avançou rapidamente pelo vale, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos. No domingo, socorristas chineses que trabalhavam perto do porto fronteiriço de Gyirong, no Tibete, foram levados para uma área segura depois que um novo lago se formou devido a um deslizamento de terra, segundo a imprensa estatal chinesa. No Nepal, o número de desaparecidos foi atualizado para 4.247 nesta segunda-feira (31). As autoridades confirmaram 903 mortes. A quantidade de corpos recuperados e a falta de instalações adequadas para armazená-los fizeram as autoridades iniciarem os sepultamentos antes que todos fossem identificados. Amostras de DNA foram coletadas dos corpos. A medida permitirá que os familiares façam a identificação posteriormente e realizem os rituais funerários tradicionais. Familiares chegam aos centros de identificação e observam telas de LED com fotografias dos corpos encontrados. Em alguns casos, precisam fechar os olhos diante das imagens. Shobha Adhikary disse a um coordenador em um necrotério improvisado que acreditava ter reconhecido seu melhor amigo de infância em uma das fotografias. "Parece ele, com certeza", afirmou, enquanto mostrava aos coordenadores a imagem de um homem de meia-idade sorrindo. "Não sobrou nada" Os sobreviventes agora enfrentam a tarefa de reconstruir suas vidas. "Todos os vilarejos próximos do rio foram arrasados", disse à AFP Buddhi Ram Dangol, morador do distrito de Nuwakot, no Nepal. "Não sobrou nada." O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, afirmou nas redes sociais que o país enfrenta um desastre "inimaginável e desolador". Segundo ele, o custo da reconstrução pode chegar a bilhões de dólares. Shah também destacou o contraste entre os impactos sofridos pelo Nepal e sua contribuição para o aquecimento global. O país está entre os que têm menores emissões de carbono per capita no mundo. As dificuldades de acesso à região atingida ficaram evidentes no domingo. Equipes chinesas que tentavam abrir uma rota até o epicentro da tragédia, próximo ao porto de Gyirong, avançaram apenas 285 metros.Nepal começa enterros após avalanche que matou 919 pessoas Militares do Exército do Nepal retornam de uma operação de busca com os corpos de vítimas mortas nas enchentes em Bharatpur, no distrito de Chitwan, no Nepal. — Foto: Dar Yasin / AP