A devastadora enxurrada que atingiu o Nepal, perto da fronteira com a China, na quarta-feira deixou pelo menos 955 mortos e 4.471 desaparecidos, segundo os balanços divulgados nesta segunda-feira pelas autoridades dos dois países. No Nepal, a autoridade responsável pela gestão de emergências revisou para baixo o número de desaparecidos, de estimativas anteriores para 3.925, enquanto o total de mortos chegou a 939. Já na região autônoma chinesa do Tibete, os meios de comunicação estatais confirmaram 16 mortes e 546 desaparecidos após a catástrofe. Somados os números dos dois lados da fronteira, o desastre deixou 955 mortos e 4.471 pessoas ainda sem localização. Nepal revisa número de desaparecidos O novo balanço divulgado pelas autoridades nepalesas reduziu para 3.925 o número de pessoas desaparecidas no país. A revisão ocorre enquanto as equipes continuam trabalhando nas áreas atingidas para localizar sobreviventes e pessoas que não foram encontradas. Veja fotos das Inundações no Nepal 1 de 13 Casas ficam parcialmente submersas em água barrenta ao longo da margem de um rio após inundações — Foto: Prabin RANABHAT / AFP 2 de 13 Casas ficam parcialmente submersas em água barrenta ao longo da margem de um rio — Foto: Prabin RANABHAT / AFP X de 13 Publicidade 13 fotos 3 de 13 Equipes de resgate usam uma escavadeira para transportar uma pessoa afetada por inundações repentinas em Devghat, no distrito de Nuwakot, no Nepal, em 26 de agosto de 2026 — Foto: Prakash MATHEMA / AFP 4 de 13 Casas ficam inundadas de lama após inundações repentinas em Devghat, no distrito de Nuwakot, no Nepal — Foto: Prakash MATHEMA / AFP X de 13 Publicidade 5 de 13 Equipes de resgate carregam uma pessoa afetada por inundações repentinas em Devghat — Foto: Prakash MATHEMA / AFP 6 de 13 Uma casa fica inundada de lama após inundações repentinas em Trishuli Bazar, no distrito de Nuwakot — Foto: Prabin RANABHAT / AFP X de 13 Publicidade 7 de 13 Moradores observam casas parcialmente submersas em água barrenta após inundações repentinas em Trishuli Bazar, no distrito de Nuwakot, no Nepal, — Foto: Prakash MATHEMA / AFP 8 de 13 Uma casa fica parcialmente submersa em água barrenta após inundações repentinas em Trishuli Bazar, no distrito de Nuwakot, no Nepal — Foto: Prakash MATHEMA / AFP X de 13 Publicidade 9 de 13 Moradores observam uma torrente de água barrenta avançar por um rio após inundações repentinas no Nepal em 26 de agosto de 2026. — Foto: Prakash MATHEMA / AFP 10 de 13 Uma torrente de água barrenta avança por um rio após inundações repentinas em Galchhi, no distrito de Dhading, no Nepal — Foto: AFP X de 13 Publicidade 11 de 13 Uma inundação massiva atingiu o distrito de Rasuwa, no norte do Nepal, em 26 de agosto, danificando estradas e a infraestrutura de energia enquanto as autoridades se mobilizavam para avaliar a extensão da destruição — Foto: Prabin RANABHAT / AFP 12 de 13 Casas ficam inundadas de lama após inundações repentinas em Devghat, no distrito de Nuwakot, no Nepal — Foto: Prakash MATHEMA / AFP X de 13 Publicidade 13 de 13 Uma casa fica inundada de lama após inundações repentinas em Devghat, no distrito de Nuwakot, no Nepal — Foto: Prabin RANABHAT / AFP No lado chinês, o balanço permanece em 16 mortos e 546 desaparecidos no Tibete. As operações seguem em andamento nos dois países, diante da dimensão dos danos provocados pela enxurrada. Corpos começam a ser enterrados O Nepal começou nesta segunda-feira a enterrar parte dos corpos recuperados. O país enfrenta ainda uma corrida contra o tempo para localizar pessoas desaparecidas, enquanto famílias lotam centros de identificação e hospitais à procura de parentes. A enorme onda de gelo, rochas e detritos atingiu aldeias e cidades na quarta-feira, soterrando moradias, derrubando pontes e arrastando veículos. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o desastre foi provocado pelo colapso de uma geleira, que lançou uma parede de água e sedimentos rio abaixo. Corpos são identificados por DNA A quantidade de corpos recuperados e a falta de instalações adequadas de refrigeração fizeram as autoridades nepalesas começar os enterros antes da conclusão da identificação. Amostras de DNA foram coletadas para permitir que as famílias reconheçam posteriormente os mortos e realizem os ritos funerários tradicionais. Em centros improvisados de identificação, familiares observam fotografias dos corpos recuperados em telas de LED. Shobha Adhikary contou a um coordenador local que acreditava ter reconhecido um amigo de infância em uma das imagens. — Parece com ele, com certeza — afirmou, enquanto mostrava uma fotografia de um homem de meia-idade. Inundações deixam mortos e centenas de desaparecidos na fronteira entre o Nepal e a China Trabalhadores seguem presos em túnel No domingo, tropas e engenheiros do Exército nepalês avançaram pelos destroços para tentar alcançar trabalhadores que se acredita estarem presos em um túnel de um complexo hidrelétrico. As equipes conseguiram inserir uma tubulação no local e passaram a perfurar os escombros para abrir caminho. Surendra Dowluri, de 33 anos, trabalhador indiano resgatado após o desastre, contou à AFP que estava em uma usina quando ouviu um forte barulho. — Ouvimos um som muito forte... e vimos que o piso da turbina estava submerso em lama, e seis trabalhadores ficaram presos ali — relatou. Segundo ele, cinco foram resgatados, mas um morreu. 'Não restou nada' Sobreviventes enfrentam agora a tarefa de reconstruir suas vidas. Buddhi Ram Dangol, morador do distrito de Nuwakot, descreveu a dimensão da destruição. — Todos os povoados perto do rio foram destruídos. Não restou nada. O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, classificou o desastre como “inimaginável e devastador” e estimou que a reconstrução custará bilhões de dólares. Esforços de resgate em Tibete e Nepal avançam sob risco de novos enchentes e deslizamentos Shah também destacou a contradição entre os impactos sofridos pelo Nepal e suas baixas emissões de carbono per capita. O país está localizado no Himalaia, onde as geleiras estão derretendo em ritmo acelerado com o aumento das temperaturas. Novo risco no lado chinês As equipes de resgate no Tibete também enfrentaram dificuldades após a formação de um novo lago provocada por outro deslizamento. Os socorristas chineses foram retirados para um local seguro no domingo. No posto fronteiriço de Gyirong, considerado o epicentro do desastre no lado chinês, as equipes avançaram apenas 285 metros no domingo, devido às condições do terreno. A operação de resgate continua enquanto autoridades dos dois países monitoram novos lagos e possíveis enxurradas na região.
Número de mortos após enchentes e deslizamentos entre Nepal e Tibete se aproxima de mil, aponta novo balanço
Balanço no Nepal foi revisado para 939 mortos e 3.925 desaparecidos; no lado chinês, 16 pessoas morreram e 546 continuam sem ser localizadas












