Queda do estrogênio pode afetar firmeza, hidratação e elasticidade; dermatologista explica as principais mudanças e os cuidados possíveis 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Menopausa muda a pele? Entenda por que ela fica mais seca e flácida — Foto: Magnific A pele não envelhece apenas porque o tempo passa. Ao longo da vida, ela também acompanha as transformações que acontecem dentro do organismo. Na menopausa, essa relação fica ainda mais evidente: com a redução dos níveis de estrogênio, mudanças que já fazem parte do envelhecimento podem ganhar intensidade. É nessa fase que algumas mulheres percebem o rosto mais seco, a pele menos firme e a textura diferente. O mesmo pode acontecer em outras regiões do corpo, como braços e colo. A redução do colágeno e alterações na capacidade de reter água ajudam a explicar parte dessas mudanças. Para a dermatologista Marcella Alves, da Onne Clinic, no Rio de Janeiro, entender o papel dos hormônios é importante para olhar para a pele de maneira mais ampla. "O envelhecimento da pele é resultado da combinação de fatores cronológicos, ambientais, genéticos e hormonais. Na menopausa, a queda do estrogênio ganha importância, porque esse hormônio participa da manutenção de diferentes estruturas e funções da pele", explica. O que muda na pele durante a menopausa? A redução do estrogênio está associada a alterações na produção e na manutenção do colágeno, além de mudanças nas fibras elásticas e em outros componentes que dão sustentação à pele. Na prática, isso pode aparecer como perda de firmeza, afinamento, ressecamento e maior evidência de linhas e rugas. A barreira cutânea também pode sofrer alterações, afetando a capacidade de retenção de água. Por isso, a sensação de pele seca pode se tornar mais frequente nessa etapa. "É importante entender, portanto, que a pele não está apenas envelhecendo pelo passar dos anos: ela também está respondendo às transformações hormonais do organismo", observa Marcella. As mudanças não ficam restritas ao rosto. Braços, colo e outras áreas do corpo também podem apresentar alterações de textura e firmeza, o que reforça a importância de uma avaliação que considere a pele como um todo. Bioestimuladores podem ajudar? Entre as opções utilizadas na dermatologia estão os bioestimuladores de colágeno. Aplicados por meio de injeções, eles estimulam uma resposta do organismo que pode favorecer a produção de novo colágeno ao longo do tempo. Entre as substâncias mais estudadas estão o ácido poli-L-láctico (PLLA) e a hidroxiapatita de cálcio (CaHA). Estudos sobre essas substâncias apontam melhora de alguns parâmetros relacionados à qualidade da pele, embora a resposta varie conforme o produto, a técnica utilizada e as características de cada paciente. "Eles podem ser considerados para mulheres que apresentam perda de firmeza ou alterações na qualidade da pele, inclusive durante ou após a menopausa, mas não existe uma indicação automática pelo fato de a mulher estar nessa fase da vida", ressalta a dermatologista. A escolha depende de uma avaliação individual, que considera o estado da pele, o grau de flacidez e o que a paciente pretende tratar. Ou seja, estar na menopausa, por si só, não significa que seja necessário recorrer a esse tipo de procedimento. Menopausa pode mudar a pele do rosto e do corpo; entenda por quê — Foto: Magnific E combinar tratamentos? Como as alterações provocadas pelo envelhecimento e pelas mudanças hormonais são variadas, diferentes estratégias podem ser consideradas em um mesmo plano de cuidados. Um tratamento pode ter como foco a firmeza, enquanto outro trabalha textura, manchas ou outras características específicas. Isso não significa, porém, que combinar procedimentos seja necessariamente melhor. A indicação precisa levar em conta o que realmente incomoda a paciente e quais recursos fazem sentido para aquele caso. "É preciso uma indicação clara, respeitar o momento de cada tratamento e considerar as características e necessidades daquela pele. As evidências disponíveis sugerem potencial benefício das abordagens combinadas, mas ainda são necessários estudos mais robustos para estabelecer quais combinações são superiores em cada situação", conclui Marcella.
Menopausa: o que acontece com a pele quando os hormônios mudam?
Queda do estrogênio pode afetar firmeza, hidratação e elasticidade; dermatologista explica as principais mudanças e os cuidados possíveis






