Queda hormonal pode provocar ressecamento, dor durante as relações e alterações no desejo, mas existem formas de aliviar os sintomas e preservar o conforto e o bem-estar 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Menopausa pode causar dor durante o sexo? Entenda o que muda no corpo — Foto: Magnific A menopausa pode mudar a relação da mulher com o próprio corpo de maneiras que vão muito além das ondas de calor. Ressecamento vaginal, ardência, dor durante as relações e alterações no desejo sexual estão entre os sintomas que podem aparecer com a queda dos níveis hormonais, mas ainda são cercados por silêncio e pela ideia de que fazem parte de um envelhecimento que simplesmente precisa ser suportado. Por que o orgasmo fica mais difícil na menopausa? Especialistas explicam o que muda no corpoO que mulheres querem saber sobre menopausa: 10 perguntas mais buscadas no Google O relato de Halle Berry ajudou a colocar o tema em evidência. A atriz já contou que passou anos convivendo com sintomas relacionados à menopausa antes de compreender o que estava acontecendo. Entre eles, estavam o ressecamento vaginal e a dor durante as relações, desconfortos que, segundo ela, chegaram a afetar sua qualidade de vida. A experiência chama atenção para uma questão que ainda atravessa a saúde feminina: manifestações íntimas persistentes nem sempre são reconhecidas como condições que podem ser tratadas. A diminuição do estrogênio provoca mudanças nos tecidos da vulva e da vagina, reduzindo a lubrificação e a elasticidade da região. Em algumas mulheres, isso pode tornar o sexo doloroso e também repercutir na autoestima, no desejo e nos relacionamentos. Essas alterações fazem parte do que a medicina chama de síndrome geniturinária da menopausa. O termo reúne manifestações que podem envolver a região genital e o trato urinário e estão relacionadas à redução do estrogênio. O quadro, no entanto, não deve ser encarado como uma sentença para a vida sexual. Há diferentes formas de aliviar os sintomas e preservar o conforto nessa fase. O que muda com a queda hormonal Segundo o ginecologista Guilherme Henrique Santos, da Onne Clinic (RJ), o estrogênio tem papel importante na manutenção dos tecidos vaginais. Quando seus níveis diminuem, a mucosa pode se tornar mais fina, menos elástica e produzir menos lubrificação. "A principal alteração é a redução dos níveis de estrogênio, que provoca mudanças nos tecidos da vulva e da vagina. A mucosa pode ficar mais fina, menos elástica e com menor lubrificação, favorecendo ressecamento, ardência e dor durante a relação sexual. Essas alterações fazem parte da chamada síndrome geniturinária da menopausa. A redução hormonal também pode contribuir para mudanças no desejo e na resposta sexual, mas a libido é multifatorial: aspectos emocionais, relacionamentos, sono, medicamentos, saúde geral e outras condições clínicas também podem interferir. Por isso, não devemos atribuir automaticamente toda redução do desejo à menopausa", explica. A queda hormonal, portanto, é apenas uma parte da história. O desejo sexual pode ser influenciado por uma combinação de fatores físicos e emocionais, além da dinâmica do relacionamento e de condições de saúde que não têm relação direta com a menopausa. Ressecamento e dor são inevitáveis? Não. Embora sejam manifestações frequentes, não precisam ser encaradas como uma consequência inevitável do envelhecimento. O ressecamento pode estar diretamente ligado à redução do estrogênio, mas a investigação é importante para entender o que está por trás de cada caso. A dor durante a relação também pode criar um ciclo difícil de interromper. O desconforto pode gerar receio antes da relação, aumentar a tensão e, consequentemente, reduzir o desejo e a disposição para a intimidade. "São sintomas frequentes, mas não precisam ser simplesmente aceitos como parte inevitável do envelhecimento. O ressecamento e a dor podem estar relacionados à queda do estrogênio, mas também é importante investigar outras causas quando os sintomas aparecem. A dor durante a relação, por exemplo, pode gerar um ciclo de desconforto, antecipação da dor e redução do desejo. Da mesma forma, a diminuição da libido não tem uma única causa e precisa ser avaliada dentro do contexto de cada mulher. Quando esses sintomas interferem na vida sexual ou no bem-estar, existem alternativas de tratamento e vale procurar avaliação ginecológica", orienta. Quais tratamentos existem A abordagem depende do que está causando o desconforto, da intensidade dos sintomas e do histórico de saúde de cada paciente. Em quadros mais leves, hidratantes vaginais e lubrificantes podem ajudar a reduzir o ressecamento e tornar a relação sexual mais confortável. Quando existe síndrome geniturinária da menopausa, o estrogênio vaginal está entre as opções terapêuticas com melhor respaldo clínico. Por ser aplicado localmente, apresenta uma abordagem diferente da terapia hormonal sistêmica, e a indicação deve considerar as características e o histórico de cada mulher. Também existem alternativas hormonais e não hormonais para situações específicas. A fisioterapia do assoalho pélvico pode fazer parte do cuidado, assim como estratégias voltadas à saúde sexual e ao conforto durante as relações. "A escolha depende principalmente dos sintomas, da intensidade do quadro, do histórico de saúde e das preferências da paciente. Para sintomas mais leves, hidratantes vaginais e lubrificantes podem ajudar no controle do ressecamento e do desconforto durante a relação. Quando há síndrome geniturinária da menopausa, tratamentos locais com estrogênio vaginal estão entre as opções com melhor respaldo clínico, mas existem também outras alternativas hormonais e não hormonais para situações específicas. A abordagem pode ainda incluir fisioterapia do assoalho pélvico e estratégias voltadas à saúde sexual. O tratamento deve ser individualizado, especialmente em mulheres com histórico de câncer hormônio-dependente ou outras condições que exijam cuidados específicos", destaca. Quando procurar um ginecologista Não é preciso esperar que o desconforto se torne intenso para buscar ajuda. Sintomas persistentes ou recorrentes, sobretudo quando começam a interferir na vida sexual ou no bem-estar, merecem ser avaliados. Dor durante a relação que surge pela primeira vez, se intensifica ou permanece ao longo do tempo não deve ser naturalizada. Sangramento depois do sexo também exige investigação e não deve ser automaticamente associado à menopausa. Ardência, coceira e sintomas urinários recorrentes são outros sinais que justificam uma consulta. "Sempre que forem persistentes, recorrentes ou começarem a interferir na qualidade de vida, vale conversar com o ginecologista. Dor durante a relação não deve ser normalizada, principalmente quando é nova ou está se intensificando. Sangramento após a relação sexual também merece avaliação médica e não deve ser atribuído automaticamente à menopausa. O mesmo vale para sintomas urinários recorrentes, ardência, coceira ou alterações que não melhoram com medidas simples. A consulta permite confirmar se existe síndrome geniturinária da menopausa ou investigar outras causas que podem apresentar sintomas semelhantes, definindo o tratamento mais adequado para cada mulher", conclui.
Menopausa pode afetar a vida sexual? Entenda o que muda e como tratar
Queda hormonal pode provocar ressecamento, dor durante as relações e alterações no desejo, mas existem formas de aliviar os sintomas e preservar o conforto e o bem-estar






