A queda hormonal pode afetar hidratação, elasticidade e textura, enquanto a tendência à hiperpigmentação exige atenção especial nessa fase 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Menopausa e pele negra: entenda as mudanças que podem aparecer nessa fase — Foto: Magnific A menopausa não chega da mesma forma para todas as mulheres. Pesquisas que acompanharam milhares de participantes ao longo dos anos apontam diferenças no momento em que ocorre a transição e também na frequência e intensidade de alguns sintomas entre mulheres negras e brancas. O tema ganhou atenção especialmente por causa dos chamados sintomas vasomotores, como ondas de calor e suor noturno, que podem ser mais frequentes e persistentes entre mulheres negras. Ainda assim, é preciso cautela com números que circulam sobre o assunto. A ideia de que mulheres negras entram na menopausa até quatro anos antes, por exemplo, não deve ser tratada como uma regra. Uma análise mais recente baseada nos dados do Study of Women’s Health Across the Nation (SWAN) encontrou, após ajustes estatísticos, uma diferença de aproximadamente 1,2 ano entre mulheres negras e brancas. "A raça não determina sozinha a idade da menopausa. Existem fatores genéticos, ambientais, sociais e relacionados ao estilo de vida que podem influenciar esse processo. O mais importante é reconhecer que algumas mulheres negras podem apresentar a transição menopausal mais cedo e precisam ter seus sintomas valorizados", explica a ginecologista Giovana Brunet, especialista em oncologia pélvica e ginecologia regenerativa. Os sintomas também podem mudar A diferença não está apenas no momento em que a menopausa acontece. Dados do SWAN indicam que mulheres negras tendem a apresentar ondas de calor e suor noturno com maior frequência, duração e intensidade durante a transição hormonal. Esses sinais, porém, podem surgir antes da última menstruação, ainda na chamada perimenopausa. Por isso, esperar o ciclo menstrual desaparecer completamente para buscar orientação pode fazer com que parte desse período seja vivida sem acompanhamento. "A mulher não deve esperar a última menstruação para procurar ajuda. Alterações no ciclo, ondas de calor, insônia, mudanças de humor, queda da libido e ressecamento vaginal podem surgir ainda na perimenopausa. Identificar esses sinais precocemente permite discutir estratégias de tratamento e prevenção", afirma a médica. E o que muda na pele negra? As transformações provocadas pela queda dos níveis de estrogênio também chegam à pele. Ressecamento, alterações na elasticidade e mudanças na textura podem se tornar mais perceptíveis ao longo da menopausa. No caso da pele negra, outro ponto merece atenção: a maior tendência à hiperpigmentação pode favorecer o aparecimento de manchas após processos inflamatórios ou agressões à barreira cutânea. Isso não significa, porém, que a pele negra precise de uma rotina completamente diferente durante a menopausa. O mais importante é considerar suas características individuais e adaptar os cuidados às novas necessidades que surgem com a mudança hormonal. "A pele negra tem características próprias e merece protocolos individualizados. Isso vale tanto para os cuidados diários quanto para procedimentos estéticos. A menopausa não muda a identidade da pele, mas as alterações hormonais podem modificar suas necessidades", diz Dra. Giovana. Como a menopausa pode afetar mulheres negras? Veja o que dizem os estudos — Foto: Magnific A menopausa vai muito além da pele As mudanças dessa fase não se restringem à aparência ou ao ciclo menstrual. A redução dos níveis hormonais também pode repercutir na saúde óssea e cardiovascular, além de afetar sono, sexualidade, trato urinário e qualidade de vida. Por isso, entender como o organismo está respondendo à transição é mais importante do que tentar encaixar todas as mulheres em um mesmo padrão. Histórico de saúde, sintomas, idade, hábitos e fatores de risco ajudam a definir quais cuidados fazem sentido para cada caso. "Menopausa não é apenas sobre parar de menstruar. É uma fase que envolve todo o organismo. O acompanhamento permite avaliar sintomas, fatores de risco e estratégias de prevenção de maneira individualizada. Quanto mais informação a mulher tiver, maior a chance de atravessar essa fase com qualidade de vida", finaliza.