0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reunião com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Malásia — Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP As conturbadas relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos vão ser pautadas pelo pragmatismo após o resultado das eleições de outubro, caso Lula seja reeleito. Essa é a avaliação de quatro ministros do primeiro escalão da administração petista que acompanham de perto os desdobramentos das tensões diplomáticas entre Brasília e Washington e foram ouvidos reservadamente pela equipe do blog ao longo dos últimos dias. Um dos primeiros sinais nesse sentido, apontam esses auxiliares, foi a ligação de uma hora e vinte minutos de duração entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no último dia 21 para tratar do tarifaço imposto pela Casa Branca aos produtos brasileiros. Na conversa, Lula chamou de “infundadas” as alegações das autoridades americanas de usar questões como o Pix e o desmatamento como justificativa para impor mais taxas às exportações nacionais. O presidente americano também questionou Lula sobre as eleições de outubro. O petista respondeu que o processo eleitoral corre bem e de forma confiável. Em outro sinal de distensão, após a reunião o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, telefonou para o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e marcou uma reunião por videoconferência que será realizada nesta segunda-feira (31). Conforme informamos no blog, Lula e Trump têm um “encontro marcado” no mês que vem. Os dois discursarão em sequência na abertura da Assembleia-Geral da ONU em 22 de setembro, um ano após o discurso em que Trump elogiou a “excelente química” que teve com Lula na mesma ocasião. No entorno presidencial, petistas lembram que a política comercial agressiva de Trump contra o Canadá, parceiro histórico dos americanos, ajudou a eleger o Partido Liberal, de centro-esquerda, nas eleições de 2025. Além disso, o “fator Trump” alavancou a vitória da esquerda nas eleições da Austrália, também no ano passado. O primeiro-ministro Anthony Albanese, do Partido Trabalhista, foi reeleito, impondo uma derrota a Peter Dutton, alinhado ideologicamente a Trump. Para surfar na onda anti-Trump, Lula pretende usar o discurso da defesa da soberania nacional como um dos principais contrapontos ao seu maior adversário segundo as pesquisas de intenção de voto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), aliado do atual ocupante da Casa Branca. Não à toa, o programa de governo petista cita a palavra “soberania” 31 vezes e defende “enfrentar as ameaças externas que desconsideram os interesses do povo brasileiro”, ainda que não cite explicitamente nem Trump nem os EUA. “O governo Trump pode não só ajudar a eleger o Lula, mas reforçar o eixo Brasil-China”, disse à equipe do blog um ministro do governo Lula que pediu para não ser identificado. “E se o Lula for eleito com um novo mandato, o Trump não vai querer comprar briga com a maior economia da América Latina.” “Tudo isso vai se dissipar depois das eleições. Depois de outubro, o pragmatismo prevalece”, diz um segundo ministro da gestão lulista ouvido pela equipe da coluna. “O clima beligerante vai passar após as eleições”, concorda um terceiro ministro, apontando que a longa duração da ligação entre Lula e Trump é um sinal de que as pontes entre Brasil e Estados Unidos não foram dinamitadas. Encontro marcado O cálculo de auxiliares diretos do presidente da República sobre o pragmatismo de Trump em relação ao Brasil após a eleição também leva em conta as eleições legislativas nos Estados Unidos, em 3 de novembro, que podem fazer Trump perder para o Partido Democrata a maioria que detém hoje tanto na Câmara quanto no Senado. Um levantamento da Reuters/Ipsos, divulgado nesta segunda-feira (24), apontou que a desaprovação de Trump alcançou um patamar recorde, chegando a 65%. “A verdade é que a situação não é nada boa para o Trump, que corre o risco de virar um pato manco”, afirma um ministro de Lula, em referência à expressão usada no meio político dos Estados Unidos para se referir a políticos em etapa final do mandato, mas sem força no Congresso para aprovar matérias prioritárias. Após o retorno de Donald Trump à Casa Branca, o entorno de Lula lembrava o precedente da relação com o presidente George W. Bush (2001-2009), do mesmo partido de Trump, como evidência de que o pragmatismo deveria prevalecer nas relações entre Brasília e Washington. À época, o assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Celso Amorim, disse à equipe do blog esperar que as relações entre Brasil e Estados Unidos fossem guiadas por “pragmatismo e respeito mútuo”. Por enquanto, faltam as duas coisas.
A aposta de ministros de Lula para as relações com Trump após as eleições
A aposta de ministros de Lula para as relações com Trump após as eleições
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