Eleições 2026

Eduardo Cunha (Republicanos) transformou o impeachment de Dilma Rousseff (PT) em seu principal patrimônio político. Dez anos depois do golpe contra a então presidente, o ex-presidente da Câmara passou a reivindicar publicamente uma responsabilidade que vai muito além da derrubada da petista. Para ele, a decisão tomada em 2016 foi o ponto de partida para a ascensão da direita, que culminaria na eleição de Jair Bolsonaro (então PSL, hoje PL) em 2018.

“Se eu não tivesse feito o impeachment, não teria existido Bolsonaro presidente da República, e nenhum desses expoentes da direita que aí estão teriam hoje alguma proeminência”, afirmou Cunha em abril, em entrevista ao jornal O Tempo. Na mesma conversa, disse não se arrepender do processo e foi ainda mais explícito ao atribuir a si próprio a retirada do PT do poder. “Quem tirou o PT do poder? O único fui eu. Pode falar o que quiser. Sem o meu ato, nada teria ocorrido”, declarou.

A avaliação de Cunha não é apenas uma leitura retrospectiva. Ele passou a utilizar o impeachment como credencial para tentar voltar à política. Candidato a deputado federal por Minas Gerais em 2026, afirma que teria feito o processo ainda mais rapidamente se pudesse voltar no tempo e diz que continua recebendo reconhecimento nas ruas. Segundo ele, “nove em cada dez pessoas” que o abordam aprovam sua atuação na queda de Dilma.