Em seu programa de governo, o candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) diz que irá "promover a revisão e o redimensionamento da reforma tributária", que segundo ele, "foi entregue ao sabor dos lobbies".

Como senador nos últimos quatro anos, ele apresentou 67 emendas para tentar alterar as propostas que resultaram na legislação sobre o novo sistema —uma emenda constitucional e duas leis complementares. Muitas dessas sugestões atendiam a demandas do setor privado, o que é legítimo.

Floriculturas, agências de viagens, serviços funerários, empresas de saneamento, açaí e doce de leite estão entre os produtos e serviços dos setores que tiveram interesses defendidos pelo senador e por outros parlamentares. Os três primeiros foram contemplados. Os outros, não.

Ele também apoiou a proposta que resultou na redução do imposto sobre armas de fogo a partir de 2027. Todas essas exceções contribuem para aumentar a alíquota dos novos tributos sobre bens e serviços —sejam elas consideradas meritórias ou não.

O mesmo raciocínio vale para o imposto zero sobre a picanha apoiado pelo presidente Lula (PT) e para a redução na tributação dos planos de saúde para animais domésticos defendido pela primeira-dama Janja. O programa de governo do petista, aliás, cita seis vezes a reforma, com algo que "amplia a transparência, acaba com a cumulatividade e elimina a guerra fiscal".