O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai prever um aporte de R$ 651,8 milhões na Eletronuclear na proposta de Orçamento de 2027, segundo três pessoas que participam das discussões ouvidas pela Folha.

O dinheiro será usado para a manutenção de contratos já existentes relativos à usina de Angra 3, obra inacabada que ainda não gera receitas para a estatal. Segundo documentos obtidos pela reportagem, o cenário foi desenhado considerando que a decisão sobre dar continuidade ou não ao empreendimento será tomada apenas no ano que vem.

A Eletronuclear enfrenta dificuldades financeiras devido aos custos de manutenção e ao serviço da dívida de Angra 3. Desde setembro de 2024, as obrigações já consumiram R$ 1,4 bilhão do caixa próprio da companhia, uma vez que as tarifas de energia das usinas de Angra 1 e 2 não cobrem esses gastos. Em anos anteriores, a companhia já havia solicitado ajuda da União, mas não foi atendida.

O novo pedido de recursos consta em um ofício assinado pelo ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) e enviado em 24 de agosto para os ministros Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento), Dario Durigan (Fazenda) e Esther Dweck (Gestão). Os três integram a chamada JEO (Junta de Execução Orçamentária), ao lado da ministra Miriam Belchior (Casa Civil).