Montante é necessário para a preservação de Angra 3 e o cumprimento das obrigações regulatórias, contratuais e de segurança nuclear 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Vista aérea das obras paradas da usina nuclear Angra 3, no litoral fluminense — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo O governo federal avalia um aporte de R$ 650 milhões na Eletronuclear, estatal responsável pelas usinas nucleares do Brasil e que passa por uma crise financeira. Esse é o valor calculado como necessário para a preservação do empreendimento de Angra 3 e o cumprimento das obrigações regulatórias, contratuais e de segurança nuclear associadas ao projeto. A equipe econômica discute o timing desse aporte. O governo trava há anos qualquer decisão sobre o futuro do empreendimento instalado em Angra dos Reis (RJ), cujas obras estão paradas. A continuidade ou o abandono do projeto pode custar mais de R$ 22 bilhões, conforme as últimas análises feitas pela área de energia do Executivo federal. O projeto já consumiu cerca de R$ 12 bilhões. Por isso, a empresa precisa de recursos. O dinheiro deve ser utilizado para pagamentos relacionados aos contratos internacionais, incluindo suprimentos importados, serviços especializados e compromissos contratuais. Também deve ser usado para o encerramento de contratos com fornecedores nacionais. Continuidade em xeque Na busca por alívio financeiro, a Eletronuclear já conseguiu a suspensão temporária do pagamento do serviço da dívida até dezembro de 2027 (standstill) referente a um empréstimo do BNDES e tenta o mesmo na Caixa Econômica Federal. Isso deve significar um benefício financeiro de aproximadamente R$ 590 milhões em setembro de 2026 e dezembro de 2027. O aporte que está sendo discutido decorre de um cenário em que não haverá qualquer decisão sobre o futuro de Angra 3 neste ano. Com isso, serão necessários recursos para a preservação do empreendimento, o cumprimento dos compromissos regulatórios, contratuais e de segurança nuclear e a execução das obrigações mínimas indispensáveis à mitigação dos riscos associados ao projeto. Procurada, a empresa disse que, até o momento, não tem conhecimento de decisão ou tratativa formal de aporte. “A empresa segue assegurando a preservação do empreendimento de Angra 3, incluindo a manutenção da estrutura física e a integridade dos equipamentos, bem como o cumprimento das obrigações relativas ao serviço da dívida”, diz a estatal. Nota técnica interna da Eletronuclear, à qual O GLOBO teve acesso, afirma que, desde setembro de 2024, com o esgotamento do caixa restrito de Angra 3, o empreendimento não dispõe de fonte própria de recursos para honrar seus compromissos com credores e fornecedores. Até o momento, o projeto já consumiu mais de R$ 1,4 bilhão da receita gerada pelas usinas em operação. “Chegou-se à conclusão de que a manutenção dessas condições levaria à rescisão de contratos relevantes, com chances de colapso integral da estrutura de manutenção e preservação das obras, dos equipamentos e do canteiro, o que colocaria em risco a continuidade do projeto de Angra 3”, afirma a nota. Essa preocupação se estende também à parcela estrangeira do projeto. A situação atual dos contratos “traz enormes riscos para a continuidade de Angra 3", dizem os técnicos, com consequências que vão desde “longos processos judiciais até a inviabilização das condições da modelagem econômica”. Risco para outras usinas Paralisadas desde 2015, as obras de Angra 3 drenam o caixa da estatal. A privatização da Eletrobras, atual Axia Energia, em 2022, resultou em uma reestruturação societária na qual foi criada a Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), que passou a controlar a estatal nuclear. A ENBPar aportou R$ 3,5 bilhões na Eletronuclear para o custeio de Angra 3, mas esses recursos se esgotaram em 2024. A Axia, por sua vez, vendeu no ano passado 100% de sua participação na Eletronuclear para a J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. O valor do negócio é de R$ 535 milhões pelas ações da empresa, mas a J&F assumirá também outros compromissos da Eletronuclear. A falta de recursos também afeta as usinas em operação. Esta semana, o Tribunal de Contas da União (TCU) avaliou, em relatório, que a “insuficiência de recursos” para o programa de extensão de vida útil de Angra 1 “contribui para aumentar o custo global do empreendimento, podendo conduzir à paralisação ou redução do ritmo das obras”.
Governo avalia aporte de R$ 650 milhões na Eletronuclear
Montante é necessário para a preservação de Angra 3 e o cumprimento das obrigações regulatórias, contratuais e de segurança nuclear










