A ciência brasileira ainda se arrisca pouco. Não porque os pesquisadores brasileiros não saibam formular perguntas de risco, mas porque as agências de fomento —sejam públicas ou privadas— ainda não aprenderam a avaliar projetos com capacidade de fracasso.

A análise é do geneticista francês Hugo Aguilaniu, 50, que deixará a direção-executiva do Serrapilheira no fim deste ano. Ele está há quase dez anos à frente do instituto, a primeira instituição privada formada no país especificamente para financiar ciência fundamental. Seu sucessor será escolhido por meio de uma chamada pública, com inscrições abertas até 4 de setembro.

"Acredito que hoje, no Brasil e no [resto do] mundo de maneira geral, não sabemos avaliar o risco. Sabemos que muitas vezes o projeto vai fracassar e, de vez em quando, vai levar a uma descoberta totalmente incrível. Como avaliar esse risco é a questão", diz ele.

O ex-pesquisador do CNRS (agência de ciência francesa) assumiu a direção do Serrapilheira em 2017, visando um modelo de fomento à pesquisa distinto daquele adotado tradicionalmente em agências.

Com financiamento flexível, o instituto se dedica sobretudo aos jovens pesquisadores e à redução dos entraves burocráticos. Desde seu surgimento, em março daquele ano, houve apoio a 297 projetos de ciências nas áreas da vida, exatas, engenharia e computação.