O que acontece com a aprendizagem em um mundo onde o acesso a respostas está cada vez mais fácil com as ferramentas de inteligência artificial? Essa é uma reflexão que Paulo Blikstein considera urgente para os rumos da educação no Brasil.
Professor titular na Universidade Columbia, nos Estados Unidos, há anos ele estuda —e defende— o uso da tecnologia para auxiliar a aprendizagem. Blikstein, no entanto, vê com preocupação o entusiasmo e a velocidade com que ferramentas de inteligência artificial têm sido adotadas nas escolas.
Para ele, nenhuma outra tecnologia mudou tão radicalmente a relação dos estudantes com o ensino. Essas transformações, no entanto, têm ocorrido sem serem acompanhadas de evidências científicas que comprovem possíveis benefícios na educação ou de regulamentações para evitar abusos.
Por isso, defende, por exemplo, que o Brasil adote a verificação etária também para o uso de ferramentas de inteligência artificial, como foi feito recentemente para as redes sociais. Blikstein diz que o uso de chatbots por crianças e adolescentes, sem orientação e monitoramento de adultos, pode atrapalhar de forma definitiva o desenvolvimento de habilidades cognitivas dessa geração.
"Daqui a cinco anos a gente vai ver o resultado do uso dessas ferramentas e pode ser tarde demais para toda uma geração que não vai saber escrever ou fazer contas sem usar a inteligência artificial."









