Especialista em inteligência artificial explica como pais podem identificar um uso produtivo da ferramenta e evitar que ela substitua etapas importantes do aprendizado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Seu filho usa ChatGPT para fazer a lição? Entenda quando a IA ajuda ou atrapalha — Foto: Magnific O ChatGPT já entrou na rotina de muitos estudantes. A ferramenta pode resumir conteúdos, revisar textos, explicar conceitos e esclarecer dúvidas em poucos segundos. Para pais e educadores, no entanto, o desafio não está apenas em decidir se o uso deve ser permitido ou restringido, mas em entender qual papel a inteligência artificial pode ocupar na formação de crianças e adolescentes. A diferença está entre recorrer ao recurso como apoio e deixar que ele assuma tarefas que fazem parte do próprio processo de aprendizagem. Excesso de telas na infância: como estabelecer limites sem transformar o celular em motivo de conflitoSeu rosto pode entregar como você está no trabalho? Entenda o que a IA percebeConversar com IA pode afetar um relacionamento? Dúvidas viralizam entre usuários Para João Paulo Batistella, executivo de inovação e especialista em transformação organizacional e inteligência artificial, um dos principais critérios é observar se o estudante continua exercitando a própria autonomia. "Se a criança recebe uma resposta pronta, copia e entrega, ela resolveu a tarefa, mas isso não significa que aprendeu. A tecnologia pode participar do processo, mas ela precisa continuar construindo o raciocínio e entendendo como chegou à resposta", explica. Um uso mais produtivo ocorre quando a ferramenta funciona como uma espécie de apoio durante o estudo. Em vez de delegar uma lição inteira, por exemplo, o aluno pode pedir que determinado conceito seja explicado de outra maneira, solicitar uma pista para avançar em um exercício ou apresentar sua própria resolução para receber sugestões. Dessa forma, o recurso entra como complemento, sem eliminar etapas importantes, como formular hipóteses, cometer erros, organizar ideias e revisar o que foi produzido. O limite pode ficar menos claro quando a inteligência artificial passa a elaborar uma atividade do início ao fim. Nesse cenário, o estudante deixa de enfrentar justamente as dificuldades que fazem parte da construção do conhecimento. A tarefa é concluída, mas a experiência necessária para desenvolver determinada habilidade pode não acontecer. O acompanhamento de adultos também ganha importância nesse processo. Pais e professores podem ajudar a estabelecer critérios para o uso e, principalmente, verificar se o estudante compreendeu aquilo que produziu com auxílio da ferramenta. "Não faz sentido preparar uma criança para um mundo com inteligência artificial fingindo que ela não existe. Mas acesso rápido à resposta não pode ser confundido com conhecimento. Depois de usar a IA, a criança precisa conseguir explicar sozinha o que acabou de fazer", diz Batistella. A proposta, portanto, não é afastar os jovens da tecnologia, mas ensiná-los a recorrer a ela sem abrir mão das próprias habilidades. O recurso pode colaborar com a aprendizagem quando estimula perguntas, oferece diferentes caminhos para um problema e ajuda a identificar dificuldades. O cuidado é evitar que essa assistência se transforme em substituição. "A IA pode ser uma boa tutora quando ajuda a criança a chegar à resposta. O problema começa quando passa a pensar por ela. O mais importante é que, quando a tela fechar, o conhecimento continue com a criança", conclui.