Eleições 2026

Em 2015, o Brasil promoveu uma mudança significativa nas regras de financiamento eleitoral ao proibir doações empresariais e estabelecer limites para os gastos de campanha. A primeira medida foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF); a segunda, aprovada pelo Congresso. Em meio aos escândalos revelados pela Operação Lava Jato, as mudanças buscavam reduzir a influência do poder econômico sobre as eleições.

Agora, um estudo sugere que essa mudança produziu um efeito inesperado: esses limites mais rígidos de gastos deram vantagem ao Republicanos, partido historicamente ligado à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD).

Segundo os pesquisadores, a vantagem está relacionada à estrutura da Universal e que reflete no Republicanos: presença territorial, capacidade de mobilização e uma organização altamente centralizada – em um momento em que os demais partidos têm menos acesso ao montante para realizar campanhas.

“A igreja é uma maneira de se mobilizar fora do seio dos partidos políticos. Ela é muito influente e, além de tudo, não precisa de financiamento eleitoral, dado que é um tipo de organização que não precisa se preocupar em atrair recursos para as eleições”, afirma Lucas Novaes, professor de Ciência Política do Insper e um dos autores da pesquisa Special Interest Trade-Offs: Campaign Finance Reforms and Religious Influence in Politics in Brazil (“Compromissos entre interesses especiais: reformas no financiamento de campanhas eleitorais e influência religiosa na política brasileira”) ao lado de Melani Cammett, de Harvard, e Guadalupe Tuñón, de Princeton.