A disputa pelo Senado ganhou peso nas estratégias dos maiores partidos com presidenciáveis para as eleições de 2026. Levantamento do GLOBO com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que PL e PT ampliaram os recursos destinados às candidaturas da Casa em relação à última eleição em que duas vagas por estado estiveram em disputa, em 2018. O atual PL, que naquele ano tinha o nome Partido da República (PR), passou de R$ 14,7 milhões para R$ 79 milhões neste ano. O PT saiu de R$ 25 milhões para R$ 34 milhões. Os dados foram extraídos da base de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais do TSE, que reúne informações sobre candidatos, partidos e contas eleitorais. A comparação com 2018 foi escolhida porque naquele ano, assim como em 2026, estão em disputa dois terços das cadeiras do Senado, ou seja, duas vagas por estado e pelo Distrito Federal. Em 2022, apenas um terço das cadeiras foi renovado. Os valores de 2026 representam uma fotografia dos repasses registrados até agora no TSE e ainda não correspondem ao gasto final dos partidos com as candidaturas ao Senado. As legendas ainda podem realizar novos repasses ao longo da campanha, o que significa que os valores podem aumentar. A comparação, portanto, considera os recursos destinados e registrados até o momento em cada nesta eleição. No caso do PL, a diferença é de mais de cinco vezes o valor registrado na eleição anterior com o mesmo número de vagas em disputa. Até agora, os recursos destinados ao Senado representam 11% de todo o dinheiro distribuído pelo PL às candidaturas. A legenda já repassou cerca de R$ 692,3 milhões a candidatos a presidente, governador, senador, deputado, entre outros cargos. Entre os maiores repasses, André do Prado, em São Paulo, recebeu R$ 6 milhões, o maior valor. Na sequência aparecem Domingos Sávio, em Minas Gerais, com R$ 5,4 milhões, e Carlos Portinho e Carlos Jordy, ambos no Rio de Janeiro, com R$ 4,75 milhões cada. João Roma, na Bahia, recebeu R$ 4,5 milhões. Outro nome conhecido da direita e estreante em eleições, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro recebeu R$ 3,4 milhões para disputar o Senado pelo Distrito Federal, aparecendo na 13ª posição entre os candidatos do PL que receberam mais recursos. Bia Kicis, companheira de chapa de Michelle, recebeu pouco mais de R$ 2 milhões. O aumento do investimento ocorre em um momento em que o PL transformou a eleição para o Senado em uma das principais prioridades da estratégia nacional da legenda. O partido trabalha para ampliar sua bancada na Casa e, com isso, aumentar o peso da oposição nas decisões do Congresso no próximo governo. No caso do PL, a disputa tem ainda uma bandeira bastante específica. Parte dos candidatos da legenda ao Senado defende abertamente o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). É no Senado que tramitam os processos de impeachment contra ministros da Corte, cuja abertura depende de decisão do presidente da Casa, atualmente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O tema ganhou novo fôlego no cenário eleitoral após a divulgação de mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes no âmbito da investigação sobre o Banco Master. O episódio voltou a colocar a atuação de ministros do Supremo sob escrutínio da oposição e deu novo combustível à defesa do impeachment de integrantes da Corte, bandeira que candidatos ao Senado ligados à direita já vinham incorporando aos discursos de campanha. A pauta, porém, não está restrita ao PL. No Novo, por exemplo, Marcel van Hattem, candidato ao Senado pelo Rio Grande do Sul, já assinou pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes. A defesa do afastamento de ministros do STF aparece entre as bandeiras de candidatos de diferentes partidos de oposição que disputam uma das duas vagas disponíveis em cada estado. O partido de Marcel, que atualmente tem o ex-governador de Minas Gerais como candidato à Presidência, já destinou cerca de R$ 3 milhões para candidaturas do Senado. Dentre as que mais receberam foram Ricardo Salles, em São Paulo, com R$ 1,3 milhão. Já Deltan Dallagnol recebeu R$ 800 mil no Paraná. Os dois concentram cerca de 70% dos recursos destinados pelo partido ao Senado. O PT também ampliou os recursos destinados ao Senado em busca de fazer uma contraposição de forças com a direita. O partido passou de R$ 25 milhões em 2018 para R$ 34 milhões neste ano, crescimento de aproximadamente 36%. O montante representa cerca de 10% dos R$ 368,2 milhões já distribuídos pelo PT às candidaturas. A legenda, portanto, também direcionou uma parcela relevante dos recursos já distribuídos para a disputa pela Casa. Dntre os mais beneficiados estão Benedita da Silva (RJ), Jaques Wagner (BA), Marília Campos (MG) e Rui Costa (BA), todos com R$ 2,6 milhões. Outros candidatos, como Décio Lima (SC), Eliziane Gama (MA), Gleisi Hoffmann (PR), Humberto Costa (PE) e Paulo Pimenta (RS), receberam R$ 2,2 milhões cada. A estratégia do PT para o Senado está inserida em uma disputa mais ampla pela composição do Congresso a partir de 2027. A eleição de dois senadores por estado abre espaço para que os partidos tentem ampliar suas bancadas ao mesmo tempo em que preservam ou conquistam posições em estados considerados estratégicos. Já o PSD aparece em uma situação diferente. O partido destinou R$ 23,7 milhões às candidaturas ao Senado em 2026, distribuindo recursos entre nove candidatos, sendo que os maiores valores foram destinados a Cristina Graeml, no Paraná, com R$ 3,5 milhões, e Maria Helena Teixeira, em Roraima, Pedro Paulo, no Rio de Janeiro, e Zenaide Maia, no Rio Grande do Norte, com R$ 3 milhões cada. O Missão, partido criado no ano passado, registrou R$ 150 mil em repasses para candidaturas ao Senado em 2026. Como a legenda não existia em 2018, não há base para uma comparação histórica com a eleição daquele ano. A comparação entre os partidos ocorre em um cenário de aumento dos recursos disponíveis para as campanhas, o que exige cautela na leitura dos valores nominais. O Fundo Eleitoral de 2026 é maior que o de 2018, e os partidos passaram a contar com montantes mais elevados para financiar suas candidaturas. A estratégia ganha relevância porque a eleição de 2026 poderá alterar de forma significativa o equilíbrio de forças na Casa. Para o PL, conquistar mais cadeiras significa aumentar a capacidade de pressionar por uma agenda de oposição e disputar espaços de comando no Senado. Para PT e PSD, a eleição também é uma oportunidade de ampliar bancadas e fortalecer a posição das legendas nas decisões do Congresso a partir de 2027. A preferência dos partidos, porém, nem sempre coincide com os critérios que os eleitores dizem considerar mais importantes na escolha de seus senadores. Pesquisa Genial/Quaest de agosto mostra que o apoio ao impeachment de ministros do STF aparece como principal critério para apenas 11% dos eleitores, enquanto 31% dos eleitores afirmou condicionar seu voto à entrega de emendas e obras para o estado. Ou seja, a bandeira de ataque ao Supremo não necessariamente agrada a maioria da população representada na Casa revisora do Congresso. Conversas de Vorcaro e Moraes reacendem debate As mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, reveladas em documentos da investigação sobre o Banco Master, também recolocaram a atuação do Supremo e a possibilidade de impeachment de ministros no centro do debate eleitoral. Nas conversas, Vorcaro procurou Moraes em diferentes momentos para pedir informações e ajuda em relação à investigação. As mensagens mostram pedidos feitos pelo banqueiro, mas, sem o conteúdo das respostas de Moraes, não permitem concluir que o ministro tenha atendido às solicitações. Outros trechos da investigação também mostram que Moraes analisou o contrato de R$ 131 milhões entre sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o banco antes da assinatura. A advogada confirmou a atuação do marido e afirmou que Moraes teria apenas checado “eventuais impedimentos”. Nos bastidores, integrantes da oposição avaliam que a proximidade do caso com a eleição pode favorecer candidatos ao Senado que fizeram do enfrentamento ao Supremo e da defesa do impeachment de ministros uma de suas principais bandeiras. A aposta é que a repercussão do caso aumente a disposição de parte do eleitorado de escolher nomes identificados com essa agenda.
PL e PT turbinam gasto com Senado, superam despesa de campanha anterior e acirram disputa por controle da Casa
Partido passou de R$ 14,8 milhões em 2018, quando ainda se chamava PR, para R$ 79 milhões neste ano; Partido do presidente Lula também ampliou investimento









