A criminalidade violenta em áreas urbanas específicas é o desafio mais crítico de quem pensa em se mudar. Guia do GLOBO traz informações sobre 36 países para quem quer morar fora 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Viver pelo Mundo: África do Sul — Foto: Arte / O Globo Esta reportagem faz parte do Guia Viver pelo Mundo, que reúne informações sobre 36 países como salários, vistos, segurança e custo de vida para quem quer morar fora. Acesse a ferramenta. Custo de vida atrativo para quem ganha em moeda forte, gastronomia de alto nível e acesso único a safaris e natureza selvagem, a África do Sul é um destino fora do eixo tradicional que atrai brasileiros pela qualidade de vida a preços acessíveis e pelo inglês como idioma oficial. Em contrapartida, a criminalidade violenta em áreas urbanas específicas é o desafio mais crítico de quem pensa em se mudar. Na 123ª posição do Global Peace Index 2026, o país sofre com uma criminalidade violenta alta em regiões urbanas específicas, com registros frequentes de assaltos à mão armada e roubos de veículos. Áreas como Sandton e Rosebank, em Joanesburgo, ou o V&A Waterfront e Camps Bay, na Cidade do Cabo, são seguras, enquanto o centro de Joanesburgo e Hillbrow devem-se atenção. Atrativo para quem tem moeda forte O país oferece um custo de vida atrativo para quem possui rendimentos em moedas mais fortes (euro, dólar ou real). Na Cidade do Cabo, o aluguel de um apartamento de um quarto em zonas centrais como Sea Point ou Gardens varia entre ZAR 12.500 e ZAR 18.500 (entre R$ 3.500 e R$ 5.200). O transporte público de qualidade é concentrado (como o sistema de autocarros MyCiTi e o comboio Gautrain em Gauteng). Quem depende exclusivamente de transporte coletivo gasta, em média, de ZAR 500 a ZAR 1.000 (R$ 150 a R$ 300) mensais. O orçamento básico mensal de alimentação para uma pessoa solteira varia de ZAR 2.000 a ZAR 3.000 (cerca de R$ 650 a R$ 1.000). Para um residente de classe média em áreas urbanas centrais, esse valor sobe para a faixa de ZAR 3.000 a ZAR 5.000 mensais. Fazer refeições fora é acessível. Um prato em um restaurante casual ou lanchonete local custa entre ZAR 120 e ZAR 180 (cerca de R$ 50). O salário mínimo nacional está definido em ZAR 30,23 por hora. Para uma jornada de 40 horas semanais, o valor mensal gira em torno de ZAR 5.300 (aprox. R$ 1.600). O salário médio anual, segundo dados ajustados pela Paridade de Poder de Compra (PPC), é de $ 57.500, e o mensal é de $ 4.800. Os órgãos internacionais (Banco Mundial, FMI, OIT e OCDE) que calculam o salário médio utilizam a Paridade de Poder de Compra (PPC) para garantir uma comparação justa do custo de vida. Em vez de usar o câmbio comercial flutuante, o PPC ajusta o salário à realidade local de cada país. Na prática, o número revela o seu verdadeiro padrão de consumo, mostrando o equivalente ao que essa renda conseguiria comprar nos Estados Unidos. Como funciona a imigração Desde outubro de 2024, a África do Sul adota um Sistema Baseado em Pontos (PBS) que desburocratizou a contratação de estrangeiros. Quem atinge a pontuação mínima de 100 pontos, somada por formação, salário, experiência e idioma, isenta o empregador do longo processo de comprovar que não havia um sul-africano apto para a vaga. A rota mais procurada por qualificados é o Critical Skills Work Visa, voltado a quem exerce uma ocupação da lista oficial de Habilidades Críticas: essas profissões garantem automaticamente os 100 pontos e abrem caminho direto para a residência permanente, que pode ser solicitada de imediato, sem os cinco anos exigidos do visto de trabalho comum. Para ocupações fora da lista, há o General Work Visa, que também usa o sistema de pontos ou, na ausência deles, o tradicional teste de mercado. Há vias para outros perfis. O visto de Nômade Digital (Remote Work Visitor Visa) é válido por até três anos e exige renda bruta anual de cerca de R$ 180 mil (aproximadamente R$ 15 mil mensais), mas aceita apenas empregados com contrato formal em empresa estrangeira, excluindo freelancers, e não leva à residência permanente. Aposentados e rentistas usam o Retired Person's Visa, que exige renda passiva vinda de fora de cerca de R$ 10.200 mensais, cobrada só do titular. E os estudantes precisam de um visto próprio, com seguro saúde obrigatório contratado de uma operadora sul-africana credenciada, e podem trabalhar até 20 horas semanais. Um detalhe da documentação chama atenção: para todos os vistos, é exigido um relatório radiológico para detecção de tuberculose, obrigatório para maiores de 12 anos, além do certificado de vacinação contra febre amarela para brasileiros. Apuração de Leonardo Marchetti. Colaborou a estagiária Letícia Guimarães.