Com economia dolarizada, país oferece isenção de impostos alfandegários para quem tem residência temporária. Guia do GLOBO traz informações sobre 36 países para quem quer morar fora 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Viver pelo Mundo: Equador — Foto: Arte / O Globo Esta reportagem faz parte do Guia Viver pelo Mundo, que reúne informações sobre 36 países como salários, vistos, segurança e custo de vida para quem quer morar fora. Acesse a ferramenta. Custo de vida entre os mais acessíveis da América do Sul, economia dolarizada e um dos processos de imigração mais simples para brasileiros, via Mercosul. O Equador reúne atrativos para quem busca o exterior sem gastar muito, mas o que chama atenção é a crise de segurança ligada ao narcotráfico. O país vive uma crise grave de violência, ocupando a 6ª posição entre os países mais perigosos do mundo no ranking ACLED de 2025 e a 135ª no Global Peace Index 2026, uma das piores da América do Sul. O custo de vida, no entanto, é um dos mais acessíveis do continente. O país utiliza o dólar americano como moeda oficial, o que traz estabilidade monetária, mas exige atenção ao câmbio para quem possui reservas em reais. O salário mínimo é fixado em R$ 2.400 mensais (chamado de Salário Básico Unificado - SBU). O salário médio anual, segundo dados ajustados pela Paridade de Poder de Compra (PPC), é de $ 13.500, e o mensal é de $ 1.100. Os órgãos internacionais (Banco Mundial, FMI, OIT e OCDE) que calculam o salário médio utilizam a PPC para garantir uma comparação justa do custo de vida. Em vez de usar o câmbio comercial flutuante, a PPC ajusta o salário à realidade local de cada país. Na prática, o número revela o seu verdadeiro padrão de consumo, mostrando o equivalente ao que essa renda conseguiria comprar nos Estados Unidos. Aluguel de US$ 700 A média de aluguel varia de acordo com a cidade, a região escolhida e o tipo de acomodação. Em Quito, nas zonas mais valorizadas e seguras, como La Carolina ou Cumbayá, um apartamento de um quarto custa entre US$ 485 e US$ 815 (entre R$ 2.500 e R$ 4.200, na cotação atual). O transporte é Econômico. A tarifa de ônibus urbano gira em torno de US$ 0,35 (R$ 1,20), e o metrô de Quito oferece uma opção moderna e rápida. Na rede integrada da capital, que permite combinar viagens no Trolebús, Ecovía e o Metrô de Quito, a tarifa é de US$ 0,60. Para uma pessoa solteira que cozinha a maior parte das refeições em casa, o gasto mensal com supermercado e feira varia, em média, entre US 120 e US 200 (entra R$ 600 e R$ 1.000). Residência temporária com base na nacionalidade A rota mais simples e usada por brasileiros é a Residência Temporária pelo Mercosul, que concede residência de dois anos apenas com base na nacionalidade, permitindo viver e trabalhar legalmente. Nos 90 dias antes de o visto expirar, é possível pedir a Residência Permanente diretamente. O Equador ainda permite dar entrada no processo já dentro do país, desde que a condição de turista esteja regular. Qualquer cidadão estrangeiro que tenha um visto de residência temporária fica isento de impostos alfandegários na importação de seus pertences domésticos e ferramentas de trabalho. Esse benefício limita-se a bens de uso cotidiano familiar, exige que a mudança seja liberada pela alfândega em até 6 meses após a concessão do visto e proíbe a importação de veículos. Para quais países brasileiros podem migrar com menos burocracia? Veja os principais destinos Além disso, há várias vias por perfil. O visto de Profissional é para quem tem diploma técnico ou superior emitido no exterior, com renda mensal de US$ 482, exigindo o registro do título no órgão de educação (SENESCYT). O de Nômade Digital, válido por até dois anos, pede renda de US$ 1.446 mensais de fontes externas e isenta a renda estrangeira de imposto local. Aposentados e rentistas têm rota própria, com o mesmo piso de US$ 1.446. E o visto de Investidor concede residência mediante aporte mínimo de US$ 48.200 em imóvel, depósito bancário ou participação em empresa, cobrindo também cônjuge e filhos. Quase todas essas vias abrem caminho para a Residência Permanente após 21 meses e, eventualmente, para a cidadania em cerca de cinco anos, desde que o titular não passe mais de 90 dias por ano fora do país. Vale lembrar que brasileiros precisam apresentar o Certificado Internacional de Vacinação contra Febre Amarela, exigência específica para quem vem do Brasil. A manutenção de um seguro de saúde (público ou privado) é obrigatória para todos os estrangeiros residentes manterem seu status migratório ativo e obterem a identidade. Uma vez portador da cédula, o estrangeiro independente ou autônomo maior de 18 anos pode optar pela Afiliação Voluntária ao Instituto Ecuatoriano de Seguridad Social (IESS), com uma contribuição mensal, calculada com alíquotas de 17,6% a 20,5% sobre os rendimentos declarados, sem copagamentos na rede pública de saúde. Apuração de Leonardo Marchetti. Colaboraram Rafael Cruvinel, aluno do Curso Jornalismo do Futuro, e a estagiária Letícia Guimarães.
Morar no Equador: veja custo de vida e regras de imigração facilitada para brasileiros, apesar da baixa segurança
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