Alimentação e moradia são os principais gastos do residente, e pesam no bolso. Guia do GLOBO traz informações sobre 36 países para quem quer morar fora 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Viver pelo Mundo: Islândia — Foto: Arte / O Globo Esta reportagem faz parte do Guia Viver pelo Mundo, que reúne informações sobre 36 países como salários, vistos, segurança e custo de vida para quem quer morar fora. Acesse a ferramenta. Menor país nórdico em população, com pouco mais de 400 mil habitantes, a Islândia é o lugar mais pacífico do planeta há quase 20 anos, combina salários altos e um sistema de saúde de excelência. O custo de vida, um dos mais altos do mundo, é o principal ponto de atenção de quem pensa em se mudar para essa ilha próxima do Círculo Polar Ártico. A Islândia é o país mais pacífico do mundo desde 2008, quando o Global Peace Index começou a ser divulgado, e mantém a liderança na edição de 2026. Sua qualidade de vida está entre as mais altas do planeta, com IDH de 0,959. O sistema de saúde é público, universal e financiado por impostos, considerado um dos melhores do mundo em tecnologia e expectativa de vida. Todos os residentes legais com mais de seis meses no país recebem cobertura automática do Seguro de Saúde. Antes de completar os seis meses, o imigrante deve contratar um plano privado. Um dos maiores custos de vida do planeta A Islândia oferece um dos maiores salários mínimos do mundo, cerca de ISK 350.000 (R$ 15 mil) mensais, valor estebelecido por acordos coletivos (kjarasamningar) entre sindicatos e associações de empregadores. Segundo dados ajustados pela Paridade de Poder de Compra (PPC), a média salarial gira em torno de US$ 5.200. Os órgãos internacionais (Banco Mundial, FMI, OIT e OCDE) que calculam o salário médio utilizam a PPC para garantir uma comparação justa do custo de vida. Em vez de usar o câmbio comercial flutuante, a PPC ajusta o salário à realidade local de cada país. Na prática, o número revela o seu verdadeiro padrão de consumo, mostrando o equivalente ao que essa renda conseguiria comprar nos Estados Unidos. O custo de vida, no entanto, é proporcional, sendo um dos mais altos do planeta, sobretudo em alimentação e moradia. O mercado imobiliário de Reykjavik é caro e competitivo. Lá, um apartamento de um quarto custa entre R$ 10.500 e R$ 13.500 por mês. O país não possui trens ou metrô e o transporte público resume-se a ônibus (Strætó). O passe mensal em Reykjavik custa aproximadamente ISK 9.300 (R$ 400), e o bilhete único, cerca de ISK 600 (R$ 25). No mercado, o gasto mensal médio fica entre ISK 43 mil e ISK 62 mil (entre R$ 1.700 e R$ 2.500). Comer fora pode sair caro, mas também há opções acessíveis. Na capital, os almoços executivos em cafés ou bares costumam ser mais baratos do que os jantares. Já os preços de pratos típicos como a humarsúpa (sopa de lagosta), plokkfiskur (ensopado de peixe), pylsur (salsicha local) ou kjötsúpa (sopa de cordeiro) variam bastante consoante o local onde escolher comer. Almoço em cafetaria ou bar pode custar cerca de ISK 2.500 (R$ 100). Já um jantar completo em um restaurante tradicional custa aproximadamente ISK 5 mil. Incentivos para imigrantes qualificados Fora da União Europeia, mas integrante do Espaço Econômico Europeu, a Islândia tem uma política migratória centrada em trabalho qualificado, gerida pela Direção de Imigração. A Permissão de Trabalho exige contrato assinado com um empregador islandês antes de iniciar o processo, que é solicitado pela própria empresa, e passa por um teste de mercado (a companhia precisa comprovar que anunciou a vaga e não encontrou candidato qualificado no país, na União Europeia ou no EEE). O salário deve respeitar os acordos coletivos do setor, com sustento mínimo de cerca de 260 mil ISK mensais (mais de R$ 10 mil), e o trâmite completo costuma levar de seis a dez meses. Quais países têm a melhor qualidade de vida para morar? Spoiler: Chile está entre elesComo funciona o sistema de saúde para imigrantes? Compare 36 países antes de escolher seu destino Há caminhos para outros perfis. A Permissão para Especialistas Qualificados é voltada a profissionais de fora do EEE com habilidades escassas no mercado, exigindo diploma superior ou mais de sete anos de experiência. Os estudantes podem trabalhar até 60% de uma jornada regular durante o curso e, ao se formar, estender a estadia por até 18 meses para buscar emprego na área. Já os nômades digitais de alta renda têm um visto de trabalho remoto válido por até 180 dias, para quem comprovar renda mensal de pelo menos 1 milhão de ISK (mais de R$ 40 mil). Contudo, ele não permite trabalhar para empresas locais nem leva à residência permanente, obtida após quatro anos de residência legal contínua. Apuração de Leonardo Marchetti. Colaboraram Júlia Vidotti, aluna do Curso Jornalismo do Futuro, e a estagiária Letícia Guimarães.
Islândia, país mais seguro do mundo desde 2008: veja regras, custos e como é morar no país que oferece altos salários
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