Proximidade com a Rússia, porém, gera tensões geopolíticas. Guia do GLOBO traz informações sobre 36 países para quem quer morar fora 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Viver pelo Mundo: Letônia — Foto: Arte / O Globo Esta reportagem faz parte do Guia Viver pelo Mundo, que reúne informações sobre 36 países como salários, vistos, segurança e custo de vida para quem quer morar fora. Acesse a ferramenta. Com um mercado de trabalho que valoriza o inglês, a Letônia é um destino interessante para quem emigra com foco em trabalho. O país, ainda pouco explorado pelos brasileiros, do leste europeu possui um dos custos de vida mais acessíveis do continente e é considerado um dos mais seguros do mundo. A proximidade com a Rússia, no entanto, gera tensões geopolíticas. Considerada um dos países mais seguros do mundo, com baixos índices de criminalidade violenta, a Letônia ocupa a 19ª posição no Global Peace Index 2026. Membro da União Europeia e da Otan, tem estabilidade institucional, com qualidade de vida entre as mais altas e um IDH de 0,889, considerado muito alto. O salário mínimo na Letônia é de € 780,00 (cerca de R$ 4.700) brutos. É importante notar que o governo exige frequentemente que estrangeiros recebam ao menos o salário médio nacional (cerca de € 1.685,00 ou R$ 10 mil) para a concessão do visto, garantindo que o imigrante tenha condições de arcar com os custos. Já o salário médio anual, segundo dados ajustados pela Paridade de Poder de Compra (PPC), é de $ 32.300, e o mensal é de $ 2.700. Os órgãos internacionais (Banco Mundial, FMI, OIT e OCDE) que calculam o salário médio utilizam a PPC para garantir uma comparação justa do custo de vida. Em vez de usar o câmbio comercial flutuante, a PPC ajusta o salário à realidade local de cada país. Na prática, o número revela o seu verdadeiro padrão de consumo, mostrando o equivalente ao que essa renda conseguiria comprar nos Estados Unidos. Custo de vida acessível, apesar da inflação Apesar de ter sofrido com inflação nos últimos anos, a Letônia ainda tem um custo de vida acessível em comparação com o resto da Europa, cerca de 27% menor que o dos Estados Unidos. O aluguel varia conforme a proximidade do centro de Riga, a capital, e o padrão do imóvel. Em Riga, por exemplo, o aluguel de um apartamento de um quarto gira em torno de € 400 a € 650 (entre R$ 2.400 e R$ 3.900). Um apartamento do mesmo modelo em cidades fora do centro custa entre € 300 a € 450 (R$ 1.800 e R$ 2.700). O sistema de transporte público é eficiente, especialmente na capital, e inclui bondes, ônibus e trólebus. O passe mensal custa entre € 30 a € 50 (mais de R$ 200). O bilhete único custa menos de € 2. Com alimentação, o gasto mensal em supermercados para uma pessoa solteira fica, em média, entre € 150 e € 300 (R$ 870 e R$ 1.700). O sistema de saúde combina rede pública e privada. Quem trabalha formalmente tem acesso ao sistema estatal após se registrar com um médico de família, com pequenas taxas de coparticipação limitadas a € 570 por ano. Como funciona a imigração O processo para trabalhar começa sempre pela empresa contratante. Antes da contratação, ela precisa registrar a vaga na Agência Estadual de Emprego por pelo menos dez dias úteis, para provar que não há profissionais locais disponíveis. O direito de trabalhar vem embutido no visto D ou na autorização de residência, e o cargo exige salário base de cerca de € 1.685 brutos mensais, além de uma Carta de Convite aprovada pelo órgão de migração. Há caminhos para outros perfis. O visto de Nômade Digital, válido por um ano e renovável por mais um, é voltado a funcionários de empresas de países da OCDE ou freelancers com clientes fora da Letônia, exigindo renda mensal de pelo menos 2,5 vezes o salário médio letão. Os estudantes comprovam entre € 500 e € 780 mensais e podem trabalhar 20 horas por semana durante as aulas. A residência permanente pode ser solicitada após cinco anos, com aprovação em exame de letão no nível A2, e a cidadania, após mais cinco anos como residente permanente, exige fluência no idioma e conhecimento da história e da Constituição. Estudantes, nômades digitais e investidores precisam contratar seguro saúde privado, com cobertura mínima de € 42.600 exigida por lei. Apuração de Leonardo Marchetti. Colaboraram Rafael Cruvinel, aluno do Curso Jornalismo do Futuro, e a estagiária Letícia Guimarães.