Vantagens incluem o clima mediterrâneo, que incentiva uma cultura de vida ao ar livre, e a variedade de vistos. Guia do GLOBO traz informações sobre 36 países para quem quer morar fora 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Viver pelo Mundo: Grécia — Foto: Arte / O Globo Esta reportagem faz parte do Guia Viver pelo Mundo, que reúne informações sobre 36 países como salários, vistos, segurança e custo de vida para quem quer morar fora. Acesse a ferramenta. Já popular como destino turístico, a Grécia também se tornou um destino atraente para brasileiros que buscam a qualidade de vida da Europa com custos abaixo da média do continente. Vantagens incluem o clima mediterrâneo, que incentiva uma cultura de vida ao ar livre, e a variedade de vistos, que vai do nômade digital ao aposentado. Por outro lado, o sistema de saúde é um ponto a se considerar, já que muitos estrangeiros optam por contratar um plano privado. A Grécia é considerada um país seguro, ocupando a 53ª posição no Global Peace Index 2026. Apesar de ter caído algumas posições no ranking nos últimos anos, os índices de crimes violentos continuam baixos. O clima é mediterrâneo, com verões quentes e secos e invernos frescos e chuvosos. A qualidade de vida é alta, com IDH de 0,904, mas o sistema público de saúde (ESY) exige número de segurança social (AMKA) para uso no dia a dia e tem longas filas. No campo acadêmico, a Fundação IKY concede as Greek Government Scholarships a estudantes internacionais, com estipêndio de € 500 mensais para pós-graduação e doutorado (€ 650 para pós-doutorado); já os seminários de imersão em língua e cultura gregas oferecem ajuda de custo de € 150 por mês, além de acomodação e alimentação gratuitas. Aluguel entre R$ 3 mil e R$ 7 mil O custo de vida está abaixo da média europeia, mas os preços dos aluguéis subiram cerca de 4,3% nacionalmente em 2025. Em Atenas, um apartamento de um quarto no centro custa entre € 500 (cerca de R$ 3 mil) e € 1.200 (cerca de R$ 7 mil) por mês. Fora da capital, os preços são mais acessíveis. Uma boa opção é Salônica, onde um apartamento similar no centro varia de € 300 (cerca de R$ 1.800) a € 600 (R$ 3.500). Supermercados nacionais, como Sklavenitis, AB Vassilopoulos e Lidl, são opções excelentes para quem quer gastar menos. A estimativa é que o gasto de uma pessoa por mês fique entre € 80 e € 100 (R$ 460 e R$ 590). Entretanto, a cultura de comer fora é grande no país, com restaurantes locais sendo uma das melhores formas de comida tradicional grega com ótimo custo-benefício. Um almoço completo fica em torno de € 10 e € 20 por pessoa. Já o jantar, sai de € 15 e € 25. O transporte público é eficiente e acessível, especialmente em Atenas, onde um bilhete único custa € 1,20 (R$ 7). O passo mensal para metrô, ônibus e bonde custa € 27 (R$ 160). O salário mínimo bruto é de € 920,00 (cerca de R$ 5.400). Já o salário médio anual é de $37 mil e o mensal de $3 mil, segundo dados ajustados pela Paridade de Poder de Compra (PPC). Os órgãos internacionais (Banco Mundial, FMI, OIT e OCDE) que calculam o salário médio utilizam a PPC para garantir uma comparação justa do custo de vida. Em vez de usar o câmbio comercial flutuante, a PPC ajusta o salário à realidade local de cada país. Na prática, o número revela o seu verdadeiro padrão de consumo, mostrando o equivalente ao que essa renda conseguiria comprar nos Estados Unidos. Variedade de vistos Para morar mais de 90 dias, é preciso solicitar um visto Nacional Tipo D ainda no Brasil e, após a chegada, requerer a Autorização de Residência junto às autoridades gregas. Há várias portas de entrada. O visto de trabalho exige oferta de uma empresa local, que atua como patrocinadora, e esbarra em um sistema de cotas anuais definido pelo governo. Já o visto de Trabalho Sazonal, voltado a agricultura, turismo e hotelaria, é uma das entradas mais acessíveis para quem não tem qualificação universitária, permitindo trabalhar por até nove meses em frentes como a colheita de azeitonas e uvas. Para perfis qualificados, o EU Blue Card exige diploma e salário de pelo menos 1,6 vez a média nacional. Quem trabalha remotamente pode usar o visto de Nômade Digital, que pede renda mensal de pelo menos € 3.500 (cerca de R$ 20.500) e isenta 50% do imposto de renda por até sete anos a quem transfere a residência fiscal para o país. Aposentados e rentistas contam com o Financially Independent Person Visa (FIP), que exige renda passiva de pelo menos € 2.000 mensais. E os estudantes, aceitos em universidade ou curso de idioma reconhecido, comprovam de € 400 a € 500 por mês e podem trabalhar até 20 horas semanais durante as aulas. Apuração de Leonardo Marchetti. Colaboraram Rafael Cruvinel, aluno do Curso Jornalismo do Futuro, e a estagiária Letícia Guimarães.