Brasileiros que trabalham remoto e recebem em moeda forte tem alto poder de compra no país. Guia do GLOBO traz informações sobre 36 países para quem quer morar fora 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Viver pelo Mundo: México — Foto: Arte / O Globo Esta reportagem faz parte do Guia Viver pelo Mundo, que reúne informações sobre 36 países como salários, vistos, segurança e custo de vida para quem quer morar fora. Acesse a ferramenta. O México se consolidou como o país da América Latina com mais nômades digitais e atrai brasileiros pela combinação de clima, gastronomia e poder de compra alto para quem ganha em moeda mais forte do que o peso mexicano, como o real. Custo de vida acessível, proximidade cultural com o Brasil e um mercado que virou ímã para trabalhadores remotos. O principal ponto de atenção é a segurança, marcada por conflitos ligados ao narcotráfico em regiões específicas, com o país na 139ª posição do Global Peace Index 2026. Além de nômades digitais, que somam quase 90 mil no país, estudantes, se aceitos em instituições do sistema educativo nacional, podem solicitar o visto no país, comprovando renda de cerca de R$ 7.800 a R$ 8.500 mensais. Além disso, o governo oferece as Becas de Excelencia del Gobierno de México para Extranjeros financiam graduação (até 12 meses), mestrado (até 24 meses) e estâncias de pesquisa de doutorado ou pós-doutorado (6 a 12 meses). Incluem isenção total de matrícula e mensalidades e uma ajuda de custo mensal de 14.264,88 pesos (cerca de R$ 4.200) para graduação e mestrado e 17.831,10 (R$ 5.300) pesos para doutorado e pós-doutorado. Metrô é barato, mas aluguel chama atenção O custo de vida no México é considerado médio, com forte variação entre a capital e o interior. Nos bairros nobres da Cidade do México, o aluguel de um apartamento de um quarto pode chegar a R$ 7.500, aproximando-se de cidades europeias de médio porte, enquanto em cidades menores ou bairros locais esse valor cai para US 800 (cerca de R$ 4 mil). Para brasileiros com renda em moeda forte, porém, o poder de compra é alto, o que ajuda a explicar a atração do país para trabalhadores remotos. O metrô na capital é um dos mais baratos do mundo (cerca de R$ 1,50 por viagem). Na capital, são 12 linhas e quase 200 estações, uma das maiores redes da América Latina. Ou seja, se uma pessoa utilizar o metrô ou metrobús duas vezes por dia durante 22 dias úteis, o gasto total no final do mês será de 220 a 264 MXN (cerca de R$ 75). Para uma pessoa solteira, o custo mensal com alimentação varia de 4.000 a 8.000 MXN (entre R$ 1.100 e R$ 2.300), dependendo do estilo de vida. É um hábito que a classe trabalhadora coma fora diariamente. As Fondas são pequenos restaurantes familiares que servem a "Comida Corrida" (um menu do dia com sopa, prato principal com carne, feijão, tortilhas e "água de sabor"), que custa cerca de 100 MXN (cerca de R$ 25). O salário mínimo é de aproximadamente 300 MXN por dia (cerca de R$ 2.700 por mês). Já o salário médio anual, segundo dados ajustados pela Paridade de Poder de Compra (PPC), é de $ 20 mil, e o mensal é de $ 1.700. Os órgãos internacionais (Banco Mundial, FMI, OIT e OCDE) que calculam o salário médio utilizam a Paridade de Poder de Compra (PPC) para garantir uma comparação justa do custo de vida. Em vez de usar o câmbio comercial flutuante, o PPC ajusta o salário à realidade local de cada país. Na prática, o número revela o seu verdadeiro padrão de consumo, mostrando o equivalente ao que essa renda conseguiria comprar nos Estados Unidos. Residência permanentes após 4 anos A principal rota é o visto de Residente Temporário, para quem pretende morar mais de 180 dias e até quatro anos. É concedido inicialmente por um ano, renovável, e leva à residência permanente após quatro anos. Existem três modalidades. Quem tem renda ou economias de fora suficientes para se manter sem trabalhar para empresas mexicanas (renda mensal em torno de US$ 4.300 a US$ 4.500 nos últimos seis meses), se qualifica por solvência econômica. Para quem recebe oferta de emprego, a empresa mexicana precisa iniciar o processo e obter o NUT antes da entrevista no consulado. Também se qualifica quem tem vínculos diretos com mexicanos ou residentes. Há caminhos para outros perfis. Embora o México não tenha um visto específico de nômade digital, os trabalhadores remotos podem ficar até 180 dias como turistas, sem burocracia, e, para prazos maiores, usam o Residente Temporário por Solvência, que funciona na prática como visto para esse público. Apuração de Leonardo Marchetti. Colaboraram Rafael Cruvinel, aluno do Curso Jornalismo do Futuro, e a estagiária Letícia Guimarães.
Morar no México: veja custo de vida e imigração no país com mais nômades digitais da América Latina, apesar dos desafios de segurança
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