A segurança, no entanto, é um ponto de atenção para quem chega, já que o país ocupa a 141ª posição no Global Peace Index 2026. Guia do GLOBO traz informações sobre 36 países para quem quer morar fora 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Viver pelo Mundo: Colômbia — Foto: Arte / O Globo Esta reportagem faz parte do Guia Viver pelo Mundo, que reúne informações sobre 36 países como salários, vistos, segurança e custo de vida para quem quer morar fora. Acesse a ferramenta. A Colômbia é um dos países mais acessíveis da América Latina para viver e um dos mais fáceis de entrar para brasileiros, graças ao acordo Mercosul, que permite a residência de 2 anos apenas com a comprovação da nacionalidade. A segurança, no entanto, é um ponto de atenção para quem chega, já que o país ocupa a 141ª posição no Global Peace Index 2026, reflexo de conflitos históricos e da violência ligada ao narcotráfico, embora a situação varie entre as cidades. Além do Visto Mercosul, o país incentiva a imigração de estudantes através da Beca Colombia para Extranjeros, voltado a cursos presenciais de pós-graduação com financiamento completo. Essa bolsa concede auxílio mensal de subsistência de 2 salários mínimos colombianos (cerca de R$ 5.600) por mês. O edital exige que o estudante comprove cerca de US$ 700 (R$ 3.600) mensais para se manter de forma autônoma nos primeiros três meses no país, já que o subsídio é liberado por reembolso trimestral. Custo de vida acessível A Colômbia é considerada um dos países mais acessíveis da América Latina para se viver. Em áreas de alta valorização e centros financeiros, o aluguel de um apartamento de um quarto oscila entre COP 1.200.000 a COP 2.500.000 (entre R$ 1.600 e R$ 3.400). No mercado, um solteiro gasta, em média, entre COP 700.000 e COP 1.000.000 (R$ 900 e R$ 1.300) por mês. O hábito de fazer refeições fora de casa é acessível. Um almoço executivo padrão (corrientazo) custa cerca de COP 20 mil (R$ 30). Sobre o sistema de transporte, a média de gastos mensais para quem se desloca todos os dias utilizando as redes municipais (SITP, Metro, MIO) varia de COP 150.000 a COP 250.000 (R$ 200 a R$ 320). O governo do ex-presidente Gustavo Petro oficializou um reajuste histórico de aproximadamente 23%, fixando o salário mínimo em 2.000.000 COP (quase R$ 2.800). O salário médio anual, segundo dados ajustados pela Paridade de Poder de Compra (PPC), é de $ 18 mil, e o mensal é de $ 1.500. Os órgãos internacionais (Banco Mundial, FMI, OIT e OCDE) que calculam o salário médio utilizam a PPC para garantir uma comparação justa do custo de vida. Em vez de usar o câmbio comercial flutuante, a PPC ajusta o salário à realidade local de cada país. Na prática, o número revela o seu verdadeiro padrão de consumo, mostrando o equivalente ao que essa renda conseguiria comprar nos Estados Unidos. Saúde e segurança O sistema de saúde é público e privado, baseado nas EPS (Entidades Promotoras de Salud), seguradoras que organizam e garantem o acesso ao plano de benefícios obrigatório aos residentes. No caso de trabalhadores formais, a contribuição total para a saúde é de 12,5% do salário mensal, sendo que o empregado contribui com 4% (descontados de sua folha de pagamento) e o empregador arca com os 8,5% restantes. Apesar do problema de segurança pública, o país retomou negociações de paz com grandes cartéis e grupos armados para reduzir a violência. Nas cidades, a segurança melhorou em bairros turísticos e residenciais, mas os furtos ainda são comuns em áreas centrais. Brasileiros tem acesso facilitado O sistema colombiano divide os vistos em categorias de visitante, estadias temporárias, migrantes e residentes. O visto de Residência Mercosul é designado a cidadãos de países membros e associados do bloco, como o Brasil, e permite exercer qualquer atividade no país por até 2 anos. Trata-se da rota de imigração mais fácil para brasileiros porque não exige oferta de emprego prévia, patrocinador ou comprovação de renda mínima. Para nômades digitais, o país concede estadia até 2 anos para quem tem renda mensal de pelo menos 3 salários mínimos colombianos e os rendimentos de fonte estrangeira são isentos de imposto. Já o visto de trabalho, exige um patrocínio ativo por parte do empregador, o qual deve demonstrar solvência financeira de, no mínimo, 100 salários mínimos colombianos nos últimos seis meses, o equivalente a cerca de COP 175.090.500 (mais de RS$ 280 mil). Esse visto é estritamente vinculado ao cargo e a empresa, impedindo outras atividades remuneradas. Os estudantes podem tirar vistos de visitante, para aqueles que vão fazer um curso sem titulação, ou visto de migrante, para quem vai fazer uma graduação universitária. O visto permite trabalhar até 20 horas semanais, mas somente para os matriculados em pós-graduação . Apuração de Leonardo Marchetti. Colaboraram Júlia Vidotti, aluna do Curso Jornalismo do Futuro, e a estagiária Letícia Guimarães.