Esta reportagem faz parte do Guia Viver pelo Mundo, que reúne informações sobre 36 países como salários, vistos, segurança e custo de vida para quem quer morar fora. Acesse a ferramenta. Um salário alto nem sempre significa uma vida mais confortável. O custo de vida, sobretudo com moradia, mobilidade e alimentação, pode consumir boa parte do que se ganha, e é um dos fatores que mais pesam na decisão de morar fora. Os quatro países com custo de vida mais acessíveis estão na América do Sul: Paraguai, Argentina, Colômbia e Peru. Neles, principalmente para quem tem renda em moeda mais forte do que a local, o custo da moradia é uma fração do praticado na Europa ou na América do Norte. Não por acaso, esses destinos combinam preços baixos com a facilidade de imigração via Mercosul, o que os torna portas de entrada acessíveis para o brasileiro. No Paraguai, o valor médio do aluguel varia conforme a localização e o tipo de imóvel, com preços começando em aproximadamente 1.460.000 guaranis (cerca de R$ 1.250) para estúdios ou apartamentos simples fora dos grandes centros. Os valores na Argentina refletem a alta inflação e a dolarização de muitos contratos no setor imobiliário. Na capital, Buenos Aires, o aluguel de um imóvel simples para uma pessoa varia entre 415.000 a 525.000 pesos argentinos (cerca de R$ 1.500 e R$ 1.900). Na Colômbia, considerada um dos países mais baratos da América Latina para se viver, o aluguel de um apartamento de um quarto em áreas de alta valorização oscila entre COP 1.200.000 a COP 2.500.000 (entre R$ 1.600 e R$ 3.400). Já em Lima, capital do Peru, um apartamento para uma pessoa custa, em média, entre S/. 1.200 e S/. 2.000 (entre R$ 1.800 e R$ 2.900). Bons custo-benefício Na faixa intermediária estão 11 países. Grécia, Estônia, Letônia, Lituânia e Croácia oferecem qualidade de vida europeia sem os preços das grandes capitais. Completam o grupo México, Chile, Espanha, Japão, África do Sul e Equador. Chama atenção a presença de Espanha e Japão, destinos desenvolvidos e populares que, ainda assim, mantêm o custo de vida em patamar moderado. O aluguel é a maior despesa mensal na Espanha. Nas grandes cidades, a média de aluguel de um apartamento simples é de € 1.350 (cerca de R$ 8 mil). O custo com alimentação é considerado justo, com um gasto médio mensal de € 200 (Cerca de R$ 1.200) para quem cozinha em casa. No Japão, o aluguel médio para um apartamento de um quarto (20 a 40 metros quadrados) varia entre 50.000 e 70.000 ienes (entre R$ 1.600 e R$ 2.300). Como alimentação, uma pessoa solteira gasta entre ¥ 30.000 e ¥ 40.000 (aproximadamente R$ 1.000 a R$ 1.300) se cozinhar a maioria das refeições. Da América do Norte à Europa Ocidental Catorze países aparecem na faixa de custo alto. Entre eles, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, França, Bélgica, Áustria, Portugal, Austrália, Nova Zelândia, Finlândia e Suécia. Para completar, Uruguai, que é o país mais caro da América do Sul, e a Costa Rica, a mais cara da América Central. Nesses destinos, os salários costumam ser mais altos, mas grande parte é absorvida pelos aluguéis. O salário mínimo no Uruguai é fixado em UYU 25 mil, aproximadamente R$ 3.100. O salário médio anual, segundo dados ajustados pela Paridade de Poder de Compra (PPC), é de $ 32.300, e o mensal é de $ 2.700. O salário mínimo na Costa Rica é definido por ocupação. A média para trabalhadores não qualificados gira em torno de ₡ 358.000, o que equivale a R$ 3.400. O salário médio anual, segundo dados ajustados pela Paridade de Poder de Compra (PPC), é de $ 26.400, e o mensal é de $ 2.200. Os órgãos internacionais (Banco Mundial, FMI, OIT e OCDE) que calculam o salário médio utilizam a Paridade de Poder de Compra (PPC) para garantir uma comparação justa do custo de vida. Em vez de usar o câmbio comercial flutuante, o PPC ajusta o salário à realidade local de cada país. Na prática, o número revela o seu verdadeiro padrão de consumo, mostrando o equivalente ao que essa renda conseguiria comprar nos Estados Unidos. Em Montevidéu, capital do Uruguai, (bairros como Pocitos ou Cordón), um apartamento de um quarto custa entre 25.000 e 35.000 UYU (cerca de R$ 3,6 mil a R$ 4,4 mil). Já na Costa Rica, em áreas populares como San José (Escazú ou Santa Ana) ou cidades de praia (Tamarindo, Santa Teresa), um apartamento de um quarto custa entre ₡ 316.500 e ₡ 680 mil (entre R$ 3.500 e R$ 7.500). Nórdicos, Suíça e Ilhas Britânicas No topo da tabela, com custo de vida muito alto, estão sete países: Suíça, Noruega, Islândia, Dinamarca, Holanda, Reino Unido e Irlanda. São, em sua maioria, países nórdicos e da Europa mais rica, onde alugar um apartamento de um quarto na capital pode custar o equivalente a mais de R$ 10 mil por mês. A Suíça e a Noruega, em particular, figuram entre os lugares mais caros do mundo para se viver. Na Suíça, em cidades como Zurique e Genebra, o aluguel de um apartamento de um quarto custa entre CHF 1.800 e CHF 2.800 (entre R$ 11.500 e R$ 18 mil). Em cidades menores (Basileia, Berna ou arredores), fica entre CHF 1.300 (R$ 8.300) e CHF 1.800. Em Oslo, capital da Noruega, o aluguel de um apartamento de um quarto custa aproximadamente NOK 13.100 (R$ 6.800). Fora da capital, um apartamento no mesmo modelo custa cerca de NOK 10.300 (R$ 5.400). Apuração de Leonardo Marchetti