Soberania digital não é autossuficiência nem isolamento tecnológico. Com seu plano de soberania digital, o governo brasileiro quer reduzir o risco de se ver cortado de alguma tecnologia por causa de sanções americanas, por exemplo, e aumentar a autonomia para desenvolver seus recursos de IA e sua regulação.

É assim que a ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, à frente das iniciativas de soberania digital, resume a estratégia do governo Lula para o setor. Em entrevista ao podcast "A Máquina", série da Folha publicada pelo Café da Manhã durante o período eleitoral, Dweck também nega que o Brasil esteja se alinhando à China, apesar de o país ter se unido à Waico, aliança de IA liderada pela China, e não à Pax Silica, a iniciativa dos EUA.

O que exatamente é a soberania digital?

É importante dizer que não é uma autossuficiência nem que o Brasil vai se fechar ao resto do mundo e vai conseguir produzir tudo internamente. É pensar em parcerias estratégicas, aumentar nossa autonomia para tomar decisões. A gente trabalha em quatro esferas: soberania de dados, que é saber onde os dados estão e poder acessá-los; a operacional, operar os sistemas não desenvolvidos por nós, mesmo se tiver alguma sanção que impeça uma empresa estrangeira de ofertar o serviço aqui; uma terceira camada é poder desenvolver a tecnologia digital, e a quarta é governança e regulação, ter o digital sob nossa jurisdição, sob as nossas leis, e não sujeito à lei de outro país.