Engenheiro-civil viu todo o trabalho de reparos que liderava em uma estrada sumir em um piscar de olhos, enquanto diretora de ONG conta que funcionários perderam vários parentes: 'Tudo foi levado' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Militares nepaleses carregam corpos no acampamento de Trishuli, no distrito de Nuwakot, atingido pelas enchentes fatais — Foto: PRABIN RANABHAT / AFP O engenheiro-civil Prabhu Rajpande viu todo o trabalho de reparos que liderava em um trecho de 40 km de uma estrada ao longo do rio Trishuli, no Nepal, desaparecer quando a "enchente gigantesca" de quarta-feira varreu a área em um piscar de olhos. — A velocidade do rio é muito alta e causou danos em toda a margem — contou ao GLOBO, relatando que o trecho entre as vilas de Malekhu e Mugling estava bem movimentada no momento da inundação e que viu muitas pessoas chorando ao testemunhar a tragédia. — Estou me sentindo muito triste porque estou trabalhando aqui, e há muitas perdas humanas. Rajpande, que desde quarta ajuda nos esforços para abrir caminho entre os destroços deixados pela torrente de água, gelo pulverizado, areia e rochas que arrastou tudo que estava pela frente, relatou que nesta sexta-feira conseguiu desbloquear uma parte da rodovia que estava inacessível há dois dias. Forças Armadas do Nepal resgatam sobreviventes de enchente presos em túnel de hidrelétrica Outro desafio é encontrar e identificar os mortos. Rajpande explicou que muitos corpos estão desmembrados após terem sido arrastados por um fluxo cuja "densidade é maior do que a do concreto", o que torna a sua identificação desafiadora, e que “é muito difícil descobrir o número exato de mortos”. — Pode haver muitos cadáveres sob a lama ainda — afirmou, acrescentando também haver muitas pontes e usinas hidrelétricas destruídas. Ali, porém, os necrotérios dos hospitais têm capacidade para armazenar apenas cerca de 30 corpos, segundo afirmou ao New York Times o chefe da polícia distrital, Rameshwor Poudel. Perante a falta de espaço, autoridades transformaram um salão de um prédio do governo em um necrotério improvisado, com capacidade para cerca de 150 cadáveres. Poudel afirmou que dezenas de corpos chegaram às margens dos rios em pedaços, o que torna o reconhecimento ainda mais difícil. As equipes policiais limpam os restos mortais e fazem fotografias, que são exibidas do lado de fora do necrotério improvisado para que familiares de pessoas desaparecidas possam tentar reconhecê-las. Nesta sexta-feira, apenas dois corpos haviam sido identificados e entregues às famílias em Chitwan. Veja fotos das Inundações no Nepal 1 de 13 Casas ficam parcialmente submersas em água barrenta ao longo da margem de um rio após inundações — Foto: Prabin RANABHAT / AFP 2 de 13 Casas ficam parcialmente submersas em água barrenta ao longo da margem de um rio — Foto: Prabin RANABHAT / AFP X de 13 Publicidade 13 fotos 3 de 13 Equipes de resgate usam uma escavadeira para transportar uma pessoa afetada por inundações repentinas em Devghat, no distrito de Nuwakot, no Nepal, em 26 de agosto de 2026 — Foto: Prakash MATHEMA / AFP 4 de 13 Casas ficam inundadas de lama após inundações repentinas em Devghat, no distrito de Nuwakot, no Nepal — Foto: Prakash MATHEMA / AFP X de 13 Publicidade 5 de 13 Equipes de resgate carregam uma pessoa afetada por inundações repentinas em Devghat — Foto: Prakash MATHEMA / AFP 6 de 13 Uma casa fica inundada de lama após inundações repentinas em Trishuli Bazar, no distrito de Nuwakot — Foto: Prabin RANABHAT / AFP X de 13 Publicidade 7 de 13 Moradores observam casas parcialmente submersas em água barrenta após inundações repentinas em Trishuli Bazar, no distrito de Nuwakot, no Nepal, — Foto: Prakash MATHEMA / AFP 8 de 13 Uma casa fica parcialmente submersa em água barrenta após inundações repentinas em Trishuli Bazar, no distrito de Nuwakot, no Nepal — Foto: Prakash MATHEMA / AFP X de 13 Publicidade 9 de 13 Moradores observam uma torrente de água barrenta avançar por um rio após inundações repentinas no Nepal em 26 de agosto de 2026. — Foto: Prakash MATHEMA / AFP 10 de 13 Uma torrente de água barrenta avança por um rio após inundações repentinas em Galchhi, no distrito de Dhading, no Nepal — Foto: AFP X de 13 Publicidade 11 de 13 Uma inundação massiva atingiu o distrito de Rasuwa, no norte do Nepal, em 26 de agosto, danificando estradas e a infraestrutura de energia enquanto as autoridades se mobilizavam para avaliar a extensão da destruição — Foto: Prabin RANABHAT / AFP 12 de 13 Casas ficam inundadas de lama após inundações repentinas em Devghat, no distrito de Nuwakot, no Nepal — Foto: Prakash MATHEMA / AFP X de 13 Publicidade 13 de 13 Uma casa fica inundada de lama após inundações repentinas em Devghat, no distrito de Nuwakot, no Nepal — Foto: Prabin RANABHAT / AFP 'Não há civilização alguma' Amrita Poudyal, diretora de Programas do Sul da Ásia na ONG ECPAT Luxembourg, que combate o tráfico infantil em diversas regiões do Nepal, relatou que está com dificuldade de se comunicar com membros do seu time que estão na área afetada. Moradora da capital Kathmandu, ela contou que um dos funcionários da ONG está com 40 familiares desaparecidos, enquanto outro procura por 17. — Tudo foi levado. Há corpos por toda parte. Não há água. Não há civilização alguma — disse ao GLOBO. — Não há energia elétrica, e a torre de telefone celular também foi destruída por causa da enchente. Para além de dificuldades práticas relacionadas ao resgate, como as infraestruturas danificadas e a quantidade de sedimento, Poudyal destacou que outros desafios, como a vulnerabilidade de crianças e mulheres à ação de criminosos, terão de ser enfrentados pelas autoridades nepalesas. — Pode haver grandes riscos de que traficantes ou intermediários externos aproveitem esse momento e essa situação para explorar e abusar das crianças que estão lá — disse. *Rafael Cruvinel é participante do CURSO JORNALISMO DO FUTURO (Com New York Times)
Estado de corpos levados por enchente de 'densidade maior do que concreto' dificulta identificação, relata nepalês ao GLOBO
Engenheiro-civil viu todo o trabalho de reparos que liderava em uma estrada sumir em um piscar de olhos, enquanto diretora de ONG conta que funcionários perderam vários parentes: 'Tudo foi levado'
















