Do alto, Aman Budathoki viu árvores, veículos e casas serem arrastados pela correnteza; desastre na fronteira com a China deixou centenas de desaparecidos, incluindo turistas estrangeiros 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Uma inundação massiva atingiu o distrito de Rasuwa, no norte do Nepal, em 26 de agosto, danificando estradas e a infraestrutura de energia enquanto as autoridades se mobilizavam para avaliar a extensão da destruição — Foto: Prabin RANABHAT / AFP Cerca de cinco minutos antes de pousar, o piloto de helicóptero Aman Budathoki viu poeira subir do rio, perto da fronteira entre Nepal e China. A princípio, pensou que se tratasse de um deslizamento de terra. Em questão de segundos, porém, ele viu águas escuras avançarem, carregando detritos e se misturando à água limpa. — Chegamos até a imaginar se o Exército estava usando explosivos para construir estradas — disse ele à CNN americana. — [Mas depois vi] ondas de água de cinco a seis metros de altura. Começamos a sobrevoar as aldeias da região e pudemos ver grandes árvores, além de alguns veículos, sendo arrastados pela correnteza. Foi uma situação muito assustadora. Chegamos até a tentar acompanhar a inundação por algum tempo, apenas para avaliar os danos que estavam ocorrendo. Nunca vi a força da natureza se manifestar assim. A enorme inundação repentina atingiu nesta quarta-feira a região da fronteira entre o Nepal e o Tibete, sob domínio da China. Por enquanto, estão confirmadas ao menos 157 mortes no Nepal e três na China, mas há expectativa de que o número aumente, já que o Nepal registra 579 desaparecidos e a China, 265 — ainda não está claro, porém, se há sobreposição entre esses números, já que os trabalhos de resgate ainda estão em andamento e ainda não está clara toda a extensão da tragédia. O Nepal atrai muitos visitantes por suas trilhas de caminhada, e o Ministério da Cultura, Turismo e Aviação Civil informou que cerca de 403 turistas, 341 deles estrangeiros, continuavam sem ser localizados. A Agência de Turismo do Nepal informou que, entre esse grupo, estavam 142 indianos e viajantes dos Estados Unidos, Austrália, Reino Unido, Malásia, Países Baixos, Portugal, África do Sul e Coreia do Sul. Aldeias inteiras David Fisher, diretor da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) no Nepal, afirmou que “aldeias inteiras e áreas de mercados foram arrasadas”. A organização disse que está enviando suprimentos de emergência, entre eles cobertores, kits de primeiros socorros, macas e sacos para cadáveres. A causa das inundações ainda não está clara. Inicialmente, o chanceler do Nepal, Shishir Khanal, afirmou que as inundações teriam sido decorrentes de um deslizamento de terra provocado por um terremoto, citando que o Serviço Geológico dos EUA (USGS, na sigla em inglês) tinha registrado um terremoto de magnitude 4,4. A hipótese, no entanto, foi descartada horas depois, quando o USGS afirmou que a leitura do tremor na verdade deveria ser atribuída à energia sísmica liberada por uma avalanche. A agência nepalesa de gestão de desastres informou que dados de satélite da Planet Labs indicavam que um “deslizamento de neve e rochas” na fronteira entre Nepal e China poderia ter causado as inundações. A tragédia — a mais devastadora no Nepal desde o terremoto de 2015 —, deixou a nação “chocada e angustiada”, segundo o premier nepalês, Balendra Shah. Em publicação nas redes sociais, ele disse estar com o “coração profundamente pesado”, classificando o desastre como “devastador” e indicando que o país ficou “chocado e consternado”: “O inesperado golpe desta catástrofe natural mergulhou muitos de nossos irmãos, irmãs e crianças pequenas em uma profunda dor”, escreveu. Risco de nova cheia As inundações e os deslizamentos de terra são frequentes durante a temporada de monções, no verão do Hemisfério Norte, no Nepal e em todo o sul da Ásia. Segundo cientistas, as mudanças climáticas aumentam a intensidade e a frequência desse tipo de fenômeno. Qianggong Zhang, responsável pelo Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD) encarregado dos riscos climáticos e ambientais, alertou para a possibilidade de uma segunda cheia. As preocupações também foram elevadas na Índia, onde alertas sobre uma possível alta no nível do rio Gandak, no estado indiano de Bihar, foram emitidos. Autoridades estaduais reforçaram os preparativos nos distritos considerados mais vulneráveis. — Como ainda há um bloqueio na parte alta do rio que faz fronteira entre Nepal e China, as autoridades alertam que uma segunda cheia pode ocorrer — declarou à AFP. Enquanto isso, o presidente chinês, Xi Jinping, afirmou, segundo a CCTV, que “a tarefa mais urgente é fazer todo o possível para procurar e resgatar as pessoas desaparecidas (...), atender rapidamente os feridos e reduzir ao mínimo o número de vítimas”. (Com AFP)
Piloto que testemunhou inundação que deixou 160 mortos no Nepal diz ter visto ondas de até seis metros
Do alto, Aman Budathoki viu árvores, veículos e casas serem arrastados pela correnteza; desastre na fronteira com a China deixou centenas de desaparecidos, incluindo turistas estrangeiros













