Aval a operação para salvar banco estadual seria impróprio. Objetivo deveria ser saneá-lo para privatizá-lo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A sede do BRB, em Brasília — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo O governo do Distrito Federal tem aumentado a pressão para a liberação de um empréstimo ao Banco de Brasília (BRB), destinado a tapar o buraco de R$ 12,2 bilhões aberto pelo envolvimento nas fraudes do Banco Master. O negócio do BRB com o Master felizmente foi barrado, a Polícia Federal entrou no caso, o banco de Daniel Vorcaro acabou liquidado pelo Banco Central, e o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, está preso. Mas o problema está longe de resolvido. Diante da movimentação crescente da governadora Celina Leão (PP) para que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) libere um empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao BRB, a Advocacia-Geral da União e o Ministério da Fazenda esclareceram, em nota, que a União cumprirá os termos de um acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), segundo o qual o FGC pode conceder o crédito, mas sem qualquer participação ou aval da União. O próprio ministro Luiz Fux, mediador do acordo no STF, esclareceu que não poderia forçar a liberação dos recursos. A decisão é dos bancos cotistas do FGC, que precisam avaliar a qualidade das garantias oferecidas pelo BRB. Já foi uma concessão e tanto a autorização para o empréstimo, pois ele não está no escopo da missão do FGC, entidade privada formada por um consórcio de bancos para manter a estabilidade do sistema financeiro, socorrendo os depositantes e investidores de instituições que ofereçam risco sistêmico, dentro de limites e apenas em certas aplicações. O FGC não foi criado para acudir bancos em apuros. Além disso, está depauperado em dezenas de bilhões pelo socorro sucessivo às vítimas do Master e de sua intrincada rede de bancos e fintechs enrolados nos esquemas de Vorcaro. A União acerta ao não avalizar o empréstimo ao BRB. O único cenário em que isso seria aceitável é num contexto de preparação para a privatização. Se os recursos se destinassem a sanear as contas do banco para sua venda, provavelmente a operação faria algum sentido e seria fechada com mais rapidez. Haveria maior segurança para os financiadores e para os contribuintes. Com os recursos, o DF melhoraria suas finanças e, em decorrência, a prestação de serviços à população. Não existe qualquer motivo para o governo de Brasília manter um banco, a não ser interesse político. Nenhum dos 24 estados brasileiros que deixaram de ter banco enfrentou dificuldades devido a isso. O mesmo acontecerá com Brasília se o governo escolher a melhor alternativa para suas finanças e o futuro do BRB. Tentar salvá-lo para manter o controle estadual é uma volta a um passado funesto. A solução deve ser a mesma adotada nos anos 1990: a privatização.
União precisa resistir à pressão do governo do DF por empréstimo ao BRB
Aval a operação para salvar banco estadual seria impróprio. Objetivo deveria ser saneá-lo para privatizá-lo
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