Na forma, no entanto, candidato do PL à Presidência da República soou palatável e menos inseguro que em momentos menos roteirizados 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Flávio Bolsonaro (PL) em sabatina da TV Globo — Foto: Globo/ Manoella Mello Flávio Bolsonaro adotou um script de bom moço para se apresentar na TV Globo. Soando completamente ensaiado num minucioso media training, começou se solidarizando com a entrevistadora Renata Vasconcellos pelo que chamou de “grosseria” do presidente Lula na véspera. Retratou-se sobre as dúvidas que levantou sobre as urnas eletrônicas, repreendeu o irmão Eduardo por ter comemorado o primeiro tarifaço de Donald Trump contra o Brasil e se esquivou de explicar o destino dos milhões que pediu, cobrou e obteve de Daniel Vorcaro, banqueiro que perpetrou a fraude do Master, sobretudo a parcela paga nos EUA. No lugar de explicar a relação com Vorcaro, tentou inverter a situação e tecer ilações sobre uma reunião em que Lula, acompanhado do hoje presidente do BC Gabriel Galípolo, recebeu Vorcaro fora da agenda. Segundo ele, nesse encontro que chamou de clandestino Lula teria prometido que, quando Galípolo assumisse o BC, as investigações sobre o Master cessariam —o que não aconteceu; pelo contrário, foi na gestão atual que o banco foi liquidado. Ele começou a ser tirado do roteiro que traçou e ensaiou ao longo de dias quando questionado pelo fato de ter condecorado Adriano da Nóbrega, um matador condenado, e ter empregado sua mãe, Raimunda Magalhães, em seu gabinete. Chegou a dizer que, quando concedeu a medalha ao miliciano, ele era um “policial exemplar”, que sua prisão anterior era “perseguição” a um “inocente” e se mostrou extremamente desconfortável. Flávio também foi orientado a não insistir em fatos negativos para ele, como as dúvidas que levantou recentemente a respeito da confiabilidade das urnas eletrônicas. Disse que errou e se esquivou de explicar o que havia dito. Não custa lembrar que o sistemático ataque às urnas e ao processo eleitoral foram uma das tônicas do governo de seu pai, e a causa de sua condenação na Justiça Eleitoral, que levou à sua inelegibilidade. Ele também procurou reescrever a atuação da família Bolsonaro junto ao governo dos Estados Unidos para obter sanções contra o Brasil. Confrontado com ações e declarações suas e do irmão Eduardo a favor das medidas como o tarifaço, falseou sua parcela e fez uma estudada reprimenda ao irmão que deixou o mandato e se mandou para os EUA para obter essas sanções. Foi um candidato que estudou todas as ações, inclusive acenos às mulheres e à imprensa, e emulou o pai até na gracinha de escrever uma “cola” na mão para levar os espectadores a pesquisarem no Google. Na forma, soou palatável e menos inseguro que em momentos menos roteirizados, mas no conteúdo ainda se mostra cru e pouco crível. Na economia, evitou falar em cortes de gastos de programas sociais e mudanças na política de ganho real do salário mínimo, medidas defendidas por seus coordenadores de campanha em conversas com o mercado financeiro, e uma das principais razões de apoio ao candidato do PL nesse segmento, diga-se. Também procurou exibir uma roupagem mais moderada em relação ao meio ambiente, admitindo a ocorrência de eventos climáticos extremos e deixando de lado a bobagem sobre “resfriamento global”, que já proferiu. O cerne das propostas que apresentou foi justamente a razão de sua escolha, pelo pai, como candidato: prometeu indulto e anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro e pela trama golpista, entre eles o ex-presidente.
Análise: Flávio Bolsonaro, no conteúdo, se mostrou cru e pouco crível em entrevista na TV Globo
Na forma, no entanto, candidato do PL à Presidência da República soou palatável e menos inseguro que em momentos menos roteirizados











