PUBLICIDADE Datafolha, porém, não conserta o telhado de vidro do senador, que será alvo de artilharia pesada quando a campanha esquentar 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — Foto: Cristiano Mariz/O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 21:50 Resiliência de Flávio Bolsonaro: Datafolha traz alívio antes de convenção do PL O Datafolha trouxe alívio para Flávio Bolsonaro antes da convenção do PL, mostrando resiliência nas intenções de voto, apesar de um cenário conturbado com escândalos e pressões internas. A diferença para Lula reduziu-se levemente, mas a rejeição permanece alta. A estabilidade das intenções de voto é sustentada por um núcleo fiel de eleitores bolsonaristas e rejeição ao PT, mas novos escândalos podem complicar a campanha. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Datafolha desta sexta-feira proporcionou ao senador Flávio Bolsonaro uma boa notícia na véspera da convenção nacional do PL, que confirmará sua candidatura à Presidência da República. Sem vice para anunciar, em meio ao desembarque de aliados do Centrão, aos ataques dos demais postulantes da direita e à cautela quanto à profundidade da reconciliação com Michelle Bolsonaro, ele recebe oficialmente a missão de concorrer ao Planalto neste sábado exibindo um trunfo: a resiliência. Após um mês caótico, marcado pelas repercussões negativas do vídeo acusador de Michelle e pela confirmação do tarifaço dos EUA ao Brasil, o Datafolha mostrou estabilidade na corrida presidencial, sem desidratação adicional nas intenções de voto do senador nem ganho para o presidente Lula, candidato petista à reeleição. No primeiro turno, a diferença entre ambos passou de 10 para 8 pontos percentuais entre junho e julho (40% a 32%). No segundo turno, oscilou de 4 para 5 pontos percentuais (48% a 43%). Tudo dentro da margem de erro do levantamento, de 2 pontos percentuais. Para um candidato que tem em um escândalo de fraude financeira e corrupção a origem de seus dissabores recentes (descobriu-se em maio que Flávio Bolsonaro pediu, sem alarde, a Daniel Vorcaro, do Master, uma contribuição multimilionária para a cinebiografia do pai, mas a prestação de contas desse dinheiro permanece um mistério), o dado de rejeição do Datafolha também não é mais má notícia do que já era, até porque o indicador de Lula é semelhante. O senador do PL manteve o índice em 48%, e Lula, em 46%. Os números do Datafolha, ainda sem recortes mais profundos, sugerem que Flávio Bolsonaro é beneficiado por um tripé: o colchão de votos fiéis do bolsonarismo raiz; a manutenção de um forte sentimento antipetista (manifestado na elevada rejeição a Lula); e a incapacidade de encantamento dos outros três candidatos da direita. Desde maio, quando o inferno astral do senador bolsonarista começou, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema não saem do patamar entre 2% e 4% das intenções de voto no primeiro turno, com oscilações sempre dentro da margem de erro. No segundo turno, não se saem melhor do que Flávio no embate com Lula. Não há, por ora, um "substituto" no campo conservador. Quando se analisam os números de Lula, o cenário também não se alterou. O presidente empenhou-se em uma agenda para baixar a guarda dos eleitores descontentes: do Desenrola ao Move Brasil, da "reação soberana" aos EUA de Donald Trump à defesa da escala 6x1, Lula esperava colher frutos expressivos antes mesmo do início efetivo da campanha, em agosto. O Datafolha frustrou essas expectativas. Além da manutenção da rejeição elevada, permaneceram estáveis as avaliações sobre o governo petista: 38% o consideram ruim ou péssimo, 32% o avaliam como ótimo ou bom, e 28% o veem como regular. Houve uma inversão entre aprovação (49%) e desaprovação (48%) do trabalho de Lula, mas dentro da margem de erro. O Datafolha, porém, não é exatamente motivo de comemoração, porque não conserta o telhado de vidro de Flávio. O senador ainda não apresentou uma explicação coerente e convincente para sua relação com Daniel Vorcaro. E mais: a cada vez que o assunto Master esfria, surge uma novidade. Primeiro, foi o boato de um vídeo comprometedor, que até aliados juram existir. Nesta semana, vieram à tona notas fiscais por serviços advocatícios que seu escritório emitiu para empresas duvidosas que, direta ou indiretamente, aparecem no esquema fraudulento do ex-banqueiro. Como temem correligionários e partidos que resistem a colar no senador, novos casos nebulosos podem surgir. A ação do clã junto ao governo dos EUA, impopular no Brasil, segundo as pesquisas, foi amplamente assimilada pelo eleitorado. Apesar da ida à Casa Branca e das cartas pedindo que o Brasil não fosse novamente tarifado, parece consolidada a avaliação de que a família sacrificou os interesses da economia brasileira em nome do objetivo único de salvar Jair Bolsonaro. As falas de Flávio pedindo a Donald Trump que adiasse o tarifaço para depois das eleições, para não favorecer Lula, soaram como confirmação dessa traição. Também aparece como problemático o resgate dos questionamentos às urnas eletrônicas, assunto que o aproxima mais do radical e rejeitado Jair Bolsonaro do que de uma nova geração moderada, que poderia ter apelo junto ao eleitorado indeciso de centro, responsável por decidir a eleição. Ou seja, Flávio Bolsonaro produziu, nos últimos tempos, um arsenal de temas espinhosos que passarão a ser amplamente explorados pelos adversários _ Lula e os concorrentes na direita _ quando a campanha engatar, especialmente com o início do horário eleitoral na TV. Será nos 60 dias cruciais que antecedem o primeiro turno que uma parcela considerável dos eleitores brasileiros será apresentada aos detalhes de cada um desses assuntos explosivos, em narrativas que o bolsonarismo não terá como controlar. Além disso, de agosto a outubro, começarão a ser sentidos os primeiros efeitos deletérios do tarifaço na economia real. A pesquisa, dessa forma, permite que Flávio Bolsonaro volte a respirar. Mas os aparelhos continuam ali ao lado.