Dados indicam que a disputa presidencial não foi afetada — ao menos até o momento — pela crise política vivida pela pré-campanha do senador 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro — Foto: Montagem de fotos de Brenno Carvalho e Cristiano Mariz/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 22:28 Disputa Lula-Flávio Bolsonaro Estável Apesar de Crises na Campanha A pesquisa Datafolha revela que a disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro mantém-se estável, apesar das crises enfrentadas pela campanha de Flávio. Lula lidera com 48% das intenções de voto contra 43% de Flávio. A rejeição a ambos os candidatos permanece alta e inalterada em comparação ao mês anterior. A campanha de Flávio sofreu com a divisão interna e críticas devido a um novo tarifaço dos EUA e desentendimentos com Michelle Bolsonaro, enquanto Lula tenta explorar essas vulnerabilidades. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A disputa presidencial não foi afetada — ao menos até o momento — pela crise política vivida pela pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas últimas semanas, aponta pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira. O levantamento revela que a distância do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que se mantém numericamente à frente na corrida, para o filho de Jair Bolsonaro ficou estável tanto nas intenções de voto de primeiro turno quanto nas simulações de segundo turno. O cenário de estabilidade, às vésperas da convenção do PL que oficializa neste sábado a candidatura do senador, ocorre mesmo após o novo tarifaço anunciado pelo governo do presidente americano, Donald Trump, ser explorado pelo petista e a briga pública do senador do PL com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro gerar uma divisão na base bolsonarista. Na simulação de embate direito entre Lula e Flávio, o petista marca 48% das intenções de voto, um ponto a mais que em junho, variação dentro da margem de erro da pesquisa, de dois pontos percentuais. Já o filho de Bolsonaro soma os mesmos 43% registrados há um mês. Em votos válidos, cálculo que exclui brancos e nulos, Lula tem 45%, ante 36% do adversário. No resultado do primeiro turno, embora o levantamento não seja diretamente comparável ao anterior após alterações na lista de pré-candidatos, a diferença entre os dois é semelhante — oscilou de dez para oito pontos percentuais. Lula hoje atrai 40% das intenções de voto, contra 32% de Flávio. Ambos são seguidos por um distante segundo pelotão, formado pelo ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), que tem 3%, e o ativista Renan Santos (Missão), também com 3%. Rejeição mantida A pesquisa do Datafolha é a primeira feita após entrar em vigor o novo tarifaço de 25% aplicado pelo governo Donald Trump, aliado da família Bolsonaro, a parte dos produtos brasileiros. A medida pautou discursos dos principais candidatos nas últimas semanas e virou uma aposta da pré-campanha de Lula para desgastar a imagem de Flávio, apontado como responsável pela taxação após atuação do clã nos Estados Unidos, estratégia que deve se manter ao longo da disputa eleitoral. O tarifaço também levou Caiado e Renan Santos a mirarem em Flávio e no entorno de Bolsonaro. O Datafolha mostra, porém, que a rejeição ao senador ficou no mesmo patamar de junho. São 48% os eleitores que dizem não votar no filho de Bolsonaro de jeito nenhum, enquanto 46% afirmam o mesmo sobre o petista, índice idêntico ao do mês passado. Diante do impacto negativo da investida de Trump, Flávio buscou recalibrar o discurso e passou a se posicionar contra o tarifaço. O senador chegou a participar nos EUA de uma audiência do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), órgão do governo americano responsável pela aplicação da medida, ocasião em que pediu o adiamento da sanção. A campanha de Flávio também viveu uma crise após Michelle Bolsonaro expor publicamente, no mês passado, desentedimentos e relatar ter sido “maltratada” pelo senado. O episódio gerou mal-estar entre aliados, e levou Michelle, tida como ativo eleitoral do PL junto ao público feminino, a indicar que não se engajaria com candidatura do enteado. Quase um mês depois, uma reconciliação foi selada entre Michelle e Flávio após o presidenciável divulgar, na quinta-feira, um vídeo com um pedido de desculpas à madrasta. No período, adversários de Flávio também investiram em associar o parlamentar ao caso Master, após virem à tona mensagens em que o filho de Bolsonaro solicita recursos a Daniel Vorcaro, sob o argumento de financiar a produção de uma cinebiografia sobre seu pai. Na quarta-feira, o site Metrópoles também revelou que o escritório de advocacia de Flávio foi contratado por uma empresa vinculada a uma consultoria que recebeu repasses do banco. Aliados aliviados Diante de tantas brechas, que levaram inclusive a um afastamento de partidos do Centrão, aliados da campanha do presidenciável do PL viram com otimismo o resultado da pesquisa e avaliaram que ela demonstra que Flávio se mantém competitivo no pleito. O entorno do senador entende que ainda não deu tempo de o levantamento captar os efeitos políticos da reconciliação entre o senador e Michellle. Mesmo com a trégua, porém, o PL oficializa neste sábado a candidatura de Flávio sem a presença da ex-primeira-dama e em um quadro de isolamento partidário (leia mais na página 6). Integrantes da campanha e da cúpula da legenda de Flávio ainda não veem um cenário de acordo para atrair apoio de outros partidos — são miradas alianças com União Brasil, PP, Republicanos e Podemos, embora todas as siglas indiquem caminhar pela neutralidade —, mas ainda tentará atrair alianças até 5 de agosto, data final das convenções partidárias. Já a campanha de Lula, apesar de considerar que não há como descartar a força eleitoral do adversário, aposta que a série de desgastes que Flávio tem enfrentado vai enfraquecê-lo ao longo do período eleitoral. Aliados do petista também celebram a consolidação da estabilidade com a liderança do presidente. A avaliação é que, com o início oficial da campanha e do horário eleitoral no rádio e na televisão a partir de 15 de agosto, será possível propagar as realizações do governo e explorar os vínculos de Flávio com o tarifaço e o caso “Dark Horse”. O fato de o candidato do PL ter rejeição maior que a de Lula, na posição de vidraça por comandar o país, também foi enfatizado. Apesar da estratégia desenhada, o Datafolha mostra que Lula ainda não conseguiu reduzir o patamar de avaliação negativa e desaprovação ao seu governo, mesmo com o discurso de soberania nacional reeditado após o tarifaço mais recente anunciado pela gestão Trump. São 38% os eleitores que classificam o terceiro mandato do petista de como negativo, enquanto 32% o veem como positivo. Esses percentuais estão estáveis desde maio. Além disso, 48% afirmam desaprovar o trabalho de Lula, ante 49% que o aprovam. No ano passado, quando o governo Trump anunciou as primeiras tarifas contra produtos brasileiros, o petista registrou melhora em seus índices de popularidade, chegando ao patamar identificado nas pesquisas mais recentes. Por isso, o embate com os EUA é visto como uma oportunidade de alavancar a avaliação do governo.
Com cenário estável mesmo após desgastes para Flávio, entenda o que explica a 'resiliência bolsonarista' no Datafolha
Dados indicam que a disputa presidencial não foi afetada — ao menos até o momento — pela crise política vivida pela pré-campanha do senador








