Afeito à tática de coagir países a acatar acordos amplamente favoráveis aos EUA, Donald Trump encontrou um opositor com disposição acima da esperada para o confronto.

O vizinho Canadá, antigo aliado em diversas frentes, não apenas rejeitou na semana passada o acerto comercial proposto pela Casa Branca para aliviá-lo de um novo tarifaço como declarou-se em guerra comercial contra o seu principal parceiro.

O primeiro-ministro Mark Carney anunciou barreiras equivalentes ao ingresso de produtos americanos em seu país, sob a premissa do "dólar por dólar". A despeito de uma queda de 0,5 ponto percentual no PIB do Canadá estimada pela revista Policy, a decisão de Ottawa obteve apoio de 76% da população, conforme pesquisa do Angus Reid Institute.

Fora a China, nenhum outro país pressionado pela diplomacia comercial disruptiva de Trump ousou tanto. Sem o poderio chinês e dependente do mercado americano, o Canadá já havia revidado cada sobretaxa imposta pelos EUA desde 2025. Desta vez, negociara sob a ameaça de tarifa adicional de 50% sobre 70% de sua pauta de exportação ao vizinho, ou US$ 20 bilhões anuais.

O Canadá demarcou um limite à extorsão —a palavra é mais adequada para o caso— de Washington. Trump exigiu que o país replicasse tarifaços americanos a terceiros, restringisse negociações de livre comércio e até mesmo que removesse o francês como uma de suas línguas oficiais.