Guerra comercial entre Washington e Ottawa entrou em uma nova fase após o fracasso de negociações no fim da semana passada 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente Donald Trump durante a execução do hino nacional na corrida de automobilismo IndyCar Freedom 250 Grand Prix, em Washington, em 23 de agosto de 2026 — Foto: Doug Mills/The New York Times via AP, Pool O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta segunda-feira, em publicação na plataforma Truth Social, impor tarifas de 50% sobre automóveis, autopeças e aço do Canadá a partir de 1º de janeiro, em meio ao aprofundamento da disputa comercial com Ottawa. “Em 1º de janeiro de 2027, as tarifas sobre todos os carros, caminhões, grandes e pequenos, autopeças e aço serão elevadas para 50%. Produzam nos EUA e haverá TARIFA ZERO”, escreveu Trump na postagem sem dar mais detalhes. Trump afirmou que o Canadá vem explorando os EUA há anos e acusou o país de impor tarifas excessivamente altas sobre agricultores e produtos agrícolas americanos, o que, segundo ele, teria contribuído para um déficit comercial de US$ 60 bilhões entre os dois países. “Isso é insustentável e NÃO VAI MAIS ACONTECER!”. O chefe da Casa Branca também declarou que o Canadá não será mais tratado como um Estado americano e classificou o país como um dos piores parceiros dos EUA no comércio e em outras áreas. “Eles se acham no direito de receber tratamento especial e, ainda assim, NÓS NÃO PRECISAMOS DO CANADÁ, ELES PRECISAM DE NÓS!”, alegou. Trump ameaça Canadá com tarifas a partir de 1° de janeiro de 2027 — Foto: Reprodução/Truth Social A guerra comercial entre os países vizinhos entrou em uma nova fase após o fracasso de negociações no fim da semana passada, o que ampliou a incerteza para empresas que operam dos dois lados da fronteira. Desde sábado, o governo de Donald Trump cobra tarifas de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses, incluindo madeira compensada, bebidas alcoólicas, equipamentos elétricos e artigos de hóquei. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, respondeu anunciando tarifas na mesma proporção sobre produtos americanos, que entrarão em vigor em 8 de setembro. Carney afirmou que a retaliação se tornou inevitável depois que as conversas com Washington fracassaram na noite de sexta-feira. No dia seguinte, comparou a escalada comercial a um confronto militar. “Você está em guerra quando é atacado. Fomos atacados”, declarou à imprensa em Ottawa. Trump reagiu elevando o tom, dizendo que o Canadá “existe graças aos Estados Unidos”. “Lembre-se disso, Mark, da próxima vez que fizer suas declarações”, completou. O fracasso das negociações se deu depois que Carney considerou excessivas as exigências de Washington para reduzir as tarifas, incluindo uma cláusula que limitaria a capacidade do Canadá de fechar acordos comerciais com outros países. Também houve divergências sobre as tarifas aplicadas a veículos médios e pesados produzidos no Canadá, onde montadoras americanas como General Motors e Ford mantêm operações. Os dois governos trocaram acusações pelo impasse, e ainda não há previsão para a retomada das conversas. A escalada também enfrenta resistência nos EUA, onde parlamentares, governadores e empresários alertam que novas tarifas podem elevar os preços para os consumidores americanos e aumentar a pressão sobre a inflação às vésperas das eleições de meio de mandato, quando o Partido Republicano de Trump poderá perder seu controle sobre o Congresso. O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, fala com jornalistas em frente à Casa Branca, em Washington, em 24 de agosto de 2026 — Foto: AP Photo/Mark Schiefelbein