Medida ocorre poucos dias após o fracasso das negociações comerciais entre Washington e Ottawa, que levou os EUA a aplicar tarifas de 50% sobre cerca de US$ 20 bi em produtos canadenses 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, fala no estaleiro Davie, na segunda-feira, 24 de agosto de 2026, em Lévis, Quebec — Foto: Jacques Boissinot/The Canadian Press via AP O Canadá anunciará nesta terça-feira tarifas retaliatórias contra os Estados Unidos, em mais um passo na escalada da disputa comercial entre os dois países. A medida ocorre depois de o presidente Donald Trump ameaçar, na segunda-feira, impor novas tarifas de 50% sobre veículos, autopeças e aço canadenses a partir de 1º de janeiro de 2027 e afirmar, em publicação na Truth Social, que os líderes do país deveriam “entrar na linha” ou enfrentar consequências “muito PIORES”. A nova ameaça também ocorre poucos dias após o fracasso das negociações comerciais entre Washington e Ottawa. O impasse levou os EUA a aplicar, no sábado, tarifas de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses. O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, acusou Washington de tentar subordinar seu país e afirmou que as exigências apresentadas durante as conversas mostraram que os EUA pretendem “destruir” setores importantes da economia canadense, como as indústrias automotiva, siderúrgica e de alumínio. Segundo ele, essa foi uma das principais razões para Ottawa abandonar as tratativas na sexta-feira. Entre os pontos de divergência estava, de acordo com autoridades canadenses, uma exigência que restringiria a capacidade de Ottawa de fechar acordos comerciais com outros países sem a aprovação de Washington. Carney classificou a condição como inaceitável e uma questão de soberania. Além das tarifas retaliatórias, o ministro das Finanças, François-Philippe Champagne, e outros três ministros devem anunciar medidas de apoio aos trabalhadores afetados pela disputa. Carney sinalizou que Ottawa poderá deixar de responder às tarifas americanas na mesma proporção, dólar por dólar, e adotar medidas mais direcionadas para proteger empresas e empregos canadenses. A troca de ameaças se intensificou depois que o primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, afirmou à Associated Press que os canadenses estão preparados para arcar com os custos de uma “guerra econômica” com os EUA. Ford disse ainda que “tudo está sobre a mesa” em uma eventual retaliação, inclusive restrições ao fornecimento de eletricidade e minerais críticos aos americanos. Segundo Ford, Ontário fornece atualmente energia a cerca de 1,5 milhão de residências e empresas nos EUA. O Canadá também é um importante fornecedor de minerais críticos usados em setores estratégicos americanos, como defesa e tecnologia. Trump respondeu com ataques pessoais a Ford e voltou a chamar Carney de “governador”, em referência à sua insistência em defender que o Canadá se torne o 51º Estado americano. O presidente Donald Trump ouve durante um evento de volta às aulas no Roseiral da Casa Branca, na segunda-feira, 24 de agosto de 2026, em Washington — Foto: AP Foto/Alex Brandon Setor automotivo entra no centro da crise A ameaça de Trump de impor uma tarifa de 50% sobre veículos e autopeças canadenses colocou o setor automotivo no centro da escalada comercial entre os dois países. A indústria é altamente integrada dos dois lados da fronteira, especialmente entre Ontário, principal polo automotivo do Canadá, e Estados americanos como Michigan, com peças que chegam a cruzar de um país para o outro várias vezes ao longo do processo de produção. Montadoras como Ford, General Motors e Stellantis mantêm grandes fábricas de montagem em Ontário, enquanto a extensa cadeia de fornecedores ligada ao setor sustenta dezenas de milhares de empregos na província. Em meio à disputa, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou na segunda-feira que “a única razão pela qual o Canadá tem produção automotiva, para começo de conversa” é o Pacto Automotivo firmado entre os dois países na década de 1960. O acordo ampliou o acesso aos mercados automotivos das duas nações e estabeleceu condições que ajudaram a estimular a produção de veículos no Canadá.
Canadá prepara retaliação em resposta a tarifas de Trump
Medida ocorre poucos dias após o fracasso das negociações comerciais entre Washington e Ottawa, que levou os EUA a aplicar tarifas de 50% sobre cerca de US$ 20 bi em produtos canadenses












