As medidas, que entram em vigor em 8 de setembro, terão alíquotas de 15%, 25% e 50% e atingirão cerca de 700 produtos importados dos EUA. As novas tarifas foram anunciadas depois que entraram em vigor as tarifas de 50% impostas pelo governo de Donald Trump sobre US$ 20 bilhões (cerca de R$ 103,1 bilhões) em produtos canadenses. Segundo o governo canadense, as contratarifas foram definidas para ter impacto limitado sobre consumidores e empresas do país, mas aumentar a pressão sobre os Estados Unidos. ➡️ Como parte da resposta à escalada da guerra comercial, o Canadá também anunciou um pacote de C$ 7,5 bilhões (cerca de R$ 27,9 bilhões) em medidas de apoio a trabalhadores e empresas afetados pelas tarifas. O presidente dos EUA, Donald Trump, recebe o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, na Casa Branca em Washington, D.C., EUA, 7 de outubro de 2025. — Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein/Foto de arquivo O programa inclui recursos para pequenas e médias empresas, financiamento para fluxo de caixa e auxílio a trabalhadores que possam ser prejudicados pelas novas medidas. As tarifas de 50% incidirão sobre setores como aço, alumínio, móveis e vestuário. Produtos como queijo, eletrodomésticos e alguns frutos do mar terão tarifa de 25%, enquanto eletrônicos e ferramentas serão taxados em 15%, segundo um funcionário do governo. "O valor dólar por dólar das contratarifas, assim como um pacote de apoio de vários bilhões de dólares, protegerão trabalhadores, agricultores, famílias e empresas", disse o ministro das Finanças do Canadá, François-Philippe Champagne. Segundo informou a agência Reuters, um funcionário do governo canadense disse que as novas tarifas foram projetadas para que o impacto sobre consumidores e empresas canadenses seja mínimo e ainda possa atingir os EUA. A cronologia da guerra comercial A disputa comercial entre Estados Unidos e Canadá ganhou força no início de 2025, após Donald Trump anunciar tarifas sobre produtos canadenses. Em fevereiro daquele ano, o presidente americano determinou uma alíquota de 25% sobre a maior parte das importações do Canadá e de 10% sobre produtos de energia, sob a justificativa de combater o fluxo de drogas e a imigração ilegal. A medida teve sua entrada em vigor adiada por algumas semanas, mas acabou sendo implementada em março. O Canadá respondeu com tarifas sobre produtos americanos. Em março de 2025, o governo canadense colocou em vigor uma primeira lista de 25% sobre cerca de C$ 30 bilhões (US$ 20,8 bilhões) em produtos dos EUA. Na sequência, ampliou a retaliação para outros US$ 20,6 bilhões em mercadorias, incluindo aço, alumínio e uma série de outros produtos. A disputa continuou a se intensificar ao longo de 2025 e 2026, com novas tarifas americanas sobre setores estratégicos, como aço, alumínio e automóveis. Em 2025, por exemplo, os EUA elevaram para 50% as tarifas sobre aço e alumínio. Já em 2026, a tensão voltou a subir. Em 22 de agosto, entraram em vigor novas tarifas americanas de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses, atingindo mercadorias que incluem vinho, mel, roupas, equipamentos esportivos e outros bens. A medida veio após o fracasso das negociações entre os dois países. Após dias de negociação e sem conseguir chegar a um acordo, Trump anunciou na segunda-feira (24) uma nova escalada: tarifas de 50% sobre carros, caminhões, autopeças e aço importados do Canadá, com entrada em vigor prevista para 1º de janeiro de 2027. A decisão ampliou a pressão sobre setores centrais da integração econômica entre os dois países. Foi nesse contexto que o Canadá anunciou nesta terça-feira (25) sua nova rodada de retaliação. O governo canadense vai impor tarifas de 15%, 25% e 50% sobre cerca de 700 produtos americanos, em medidas avaliadas em aproximadamente US$ 19,9 bilhões, com início em 8 de setembro. * Esta reportagem está em atualização *Com informações da Reuters