A Serra do Japi vive um momento decisivo. É alvo de uma disputa política sobre qual será o grau de sua proteção e como essa proteção será construída daqui para a frente.

Um dos maiores remanescentes de mata atlântica do interior paulista, com cerca de 350 km², a serra não é apenas uma área verde. Ela protege nascentes, contribui para a regulação climática, funciona como uma infraestrutura ecológica fundamental para toda a região e abriga uma extraordinária biodiversidade, habitat de espécies como a onça-parda.

O problema é que essa floresta já sofre pressões concretas: expansão urbana, ocupações irregulares, alterações no uso do solo, incêndios, caça e invasões.

É nesse contexto que a Câmara Municipal de Jundiaí realizou, em 13 de agosto, audiência pública para discutir o projeto de lei complementar 1.191/2026, enviado pelo prefeito Gustavo Martinelli. O projeto propõe proibir, por prazo indeterminado, procedimentos administrativos para fins imobiliários e atividades correlatas no Território da Serra do Japi, enquanto a legislação de proteção é revisada. Mas a audiência revelou que a disputa vai muito além de decidir se deve ser permitido ou não construir ali.

O Coletivo Japy convidou para o debate integrantes do povo guarani mbya, da Terra Indígena Jaraguá, para levar uma perspectiva quase ausente das discussões institucionais: a Serra do Japi não pode ser pensada como uma ilha da natureza. Sua proteção precisa estar conectada a outros territórios preservados, para formar corredores ecológicos capazes de garantir a circulação da fauna, a dispersão de sementes e a manutenção da biodiversidade. Para espécies como a onça-parda, isso é essencial. Uma floresta fragmentada por estradas, loteamentos e ocupações pode continuar verde no mapa, mas deixa de cumprir a sua função ecológica.