Tom mais “hawkish” de Kevin Warsh surpreendeu o mercado e levou a uma retomada das apostas por uma alta dos juros nos EUA 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ibovespa tem dia volátil, mas se recupera e engata a 8ª sessão consecutiva de alta com apoio da Petrobras — Foto: Julio Bittencourt/Valor Em uma sessão de liquidez bastante reduzida, o Ibovespa oscilou entre perdas e ganhos até se firmar em alta perto do fechamento da sessão desta sexta-feira. Com isso, o índice acumulou oito altas consecutivas, terminando a semana com ganho de 2,71%. Durante a manhã, o tom mais “hawkish” adotado pelo presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Kevin Warsh, surpreendeu o mercado e levou a uma retomada das apostas de alta dos juros nos EUA na reunião de setembro, o que afetou em cheio a bolsa local. Durante a tarde, porém, o índice devolveu as perdas e passou a subir, apoiado pela alta mais intensa das ações da Petrobras e de alguns bancos. O desempenho da bolsa local acompanhou a melhora de outros ativos locais, que devolveram um pouco da alta dos prêmios de risco para não ficar com posições muito negativas antes do fim de semana. Com isso, após oscilar entre os 173.894 pontos e os 176.421 pontos, o Ibovespa fechou em alta de 0,30%, aos 175.665 pontos. O volume financeiro negociado no índice foi de R$ 14,6 bilhões e de R$ 21,4 bilhões na B3. Entre as blue chips, as PN da Petrobras terminaram com alta de 1,99%, liderando as maiores valorizações do Ibovespa. Bancos também apresentaram uma performance majoritariamente positiva, com destaque para os ganhos de 1,83% das units do Santander. Já as ações da Vale cederam 0,67%. Após um discurso considerado por agentes financeiros como mais “hawkish” de Warsh no simpósio de Jackson Hole hoje, os agentes financeiros voltaram a precificar uma alta de juros do Fed na reunião de setembro. Segundo o CME Group, os operadores precificam agora 57,5% de chance de um aperto monetário no encontro do próximo mês, ante 42,5% de manutenção do patamar atual de juros, de 3,50% a 3,75% ao ano. Até ontem, as chances eram de 35,4% e 64,6%, respectivamente. O estrategista-chefe da Sincra, Gustavo Cruz, destaca que Warsh veio muito mais duro em termos de combate à inflação do que o mercado projetava, citando que a inflação está mais distante da meta, além de ter minimizado o crescimento de salários. “Acho que o mercado financeiro vai sair desse discurso imaginando que o Warsh está convencido que talvez tenha que votar por uma alta de juros nas próximas reuniões. Como consequência, isso leva a um dólar mais forte, a uma busca maior por Treasuries e menor por bolsas nos Estados Unidos e no resto do mundo.” As declarações de Warsh chegaram a intensificar as perdas do Ibovespa durante a manhã, mas o movimento perdeu força ao longo do dia e o índice conseguiu se recuperar, assim como os demais ativos locais, que fecharam distantes dos piores momentos do pregão, embora analistas não tenham atribuído um motivo específico para a recuperação. Além das ações da Petrobras, o dia foi de ganhos para os papéis da B3, que subiram 1,97%. Já as maiores perdas foram lideradas por ações cíclicas domésticas, em virtude do avanço dos juros futuros. MRV (-5,12%), Magazine Luiza (-4,55%) e Cyrela (-3,28%) foram alguns dos destaques negativos. Em Nova York, os principais índices cederam: o Nasdaq recuou 0,52%, o S&P 500 perdeu 0,25%, e o Dow Jones fechou estável (-0,02%).
Ibovespa tem dia volátil, mas se recupera e engata a 8ª sessão consecutiva de alta com apoio da Petrobras
Tom mais “hawkish” de Kevin Warsh surpreendeu o mercado e levou a uma retomada das apostas por uma alta dos juros nos EUA






