Piora do índice seguiu os demais ativos domésticos, como o dólar à vista e os juros, assim como as bolsas americanas Ibovespa tem queda forte após tom ‘hawkish’ de Fed, antes de decisão do Copom — Foto: Patricia Monteiro/Bloomberg Depois de abrir o pregão em alta, o Ibovespa virou para o negativo durante a tarde, em virtude do tom mais “hawkish” (inclinado ao aperto monetário) adotado pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano) no comunicado e na coletiva feita na sequência pelo novo presidente da autoridade monetária, Kevin Warsh. O documento e a declaração provocaram uma reprecificação das apostas de juros nos Estados Unidos, com agentes financeiros passando a esperar uma alta já em setembro, antecipando um ajuste que estava previsto anteriormente para dezembro. A alteração levou a uma piora das bolsas americanas e dos ativos domésticos, afetando em cheio a bolsa local e blue chips. Com isso, antes do anúncio da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, o Ibovespa fechou em queda de 0,70%, aos 168.454 pontos, sendo que chegou a tocar os 167.916 pontos. Um nível que ficou distante dos 171.878 pontos registrados no melhor momento da sessão. Entre as blue chips, as ações da Vale lideraram as quedas, no valor de 2,04%, em um dia negativo para mineradoras globais. Já os papéis da Petrobras fecharam mistos: as PN encerraram perto da estabilidade (+0,08%), enquanto as ON cederam 0,58%, na contramão da leve alta dos preços de petróleo. A diferença expressiva entre as duas classes pode indicar que houve venda do papel por parte de investidores estrangeiros. Bancos também terminaram o dia em direções opostas: o destaque de alta ficou para as PN do Itaú Unibanco, que subiram 0,87%; já as PN do Bradesco recuaram 0,62%, liderando as desvalorizações. A economista-chefe da Mirae Asset Brasil, Marianna Costa, lembra que a decisão de manter os juros americanos no intervalo de 3,5% e 3,75% era amplamente esperada pelo mercado e que o destaque ficou mesmo nas mudanças do comunicado, atualização das projeções econômicas dos dirigentes e na primeira entrevista de Warsh. “O comunicado veio dramaticamente mais curto, suprimiu a frase de viés de afrouxamento e dispensou qualquer orientação futura (forward guidance), removendo inclusive a referência a ‘ajustes adicionais’ na taxa”, observa a economista. Costa também destaca que Warsh fez questão de repetir que o Banco Central não dará mais orientação futura sobre a condução da política monetária e que a estabilidade de preços é o objetivo central da autoridade monetária durante a coletiva, reforçando o tom mais “hawkish”. Entre as maiores altas do pregão, Cosan ON disparou 6,12%, após a companhia anunciar, em fato relevante, a venda de 12% das propriedades agrícolas da Radar, gestora de investimentos em terras da empresa. Na ponta contrária, as ações da Natura lideraram as perdas de 8,74%. O volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 21,9 bilhões e de R$ 28,9 bilhões na B3. Já em Wall Street, o Nasdaq fechou em queda de 1,34%; o S&P 500 perdeu 1,21%; e o Dow Jones teve baixa de 0,98%.
Ibovespa tem queda forte após tom ‘hawkish’ de Fed, antes de decisão do Copom
Piora do índice seguiu os demais ativos domésticos, como o dólar à vista e os juros, assim como as bolsas americanas







