Ponto nevrálgico da propaganda eleitoral que se inicia é a complicação dos laços hereditários do oponente. Se as andanças de Fábio Luís pelos gabinetes ministeriais de Brasília atrapalham a campanha do pai, Flávio, filho e herdeiro político de Jair, preso por golpe de Estado, tem de explicar o caminho tortuoso da dinheirama que arrecadou do banqueiro preso para fantasiar, no cinema, as façanhas criminosas do pai, "dark horse".
Pais e filhos são protagonistas frequentes da cena política em qualquer canto do mundo. Ainda que involuntariamente. A ruptura de Harry e Charles é só um capítulo da tradição de escândalos e alvoroços da família real inglesa.
D. Pedro 2° é deixado para trás, sem pai. O imperador é "o filho", "o órfão" e, muito tempo depois, "o magnânimo" —apesar dos inomináveis e longevos horrores da escravidão.
Para Carlos Lacerda, Lutero Vargas é "filho rico do pai dos pobres", Getúlio, que permanece mais de 18 anos no poder, até o suicídio.
Em memorável debate eleitoral na TV, Leonel Brizola rebatiza Paulo Maluf: "filhote da ditadura". Para Jânio Quadros, autor de retorcidas reflexões, "intimidade gera aborrecimentos ou filhos". Quando Tutu cria embaraço político para o pai, mencionando a existência de suposta conta bancária na Suíça, Jânio, pela segunda vez prefeito de São Paulo, reage à notícia proibindo a presença de jornalistas da Folha em dependências municipais, decisão suspensa pelo Judiciário.










