Augusto Cury disse ao jornalista Bernardo Mello Franco que "a política virou um manicômio". Só não explicou por que tanta gente quer pular o muro para dentro do hospício. A começar por ele próprio, que é psiquiatra, garante ter vendido 42 milhões de livros de autoajuda e está concorrendo à Presidência (com 2% das intenções de voto, segundo o Datafolha).

Há candidatos que já receberam alta, mas insistem no choque elétrico. Com a complacência da Justiça Eleitoral, conseguiram o registro apesar de inelegíveis. O caso mais notório é o do influenciador Pablo Marçal, que se finge de louco para faturar, causar tumulto e funcionar como linha auxiliar do bolsonarismo. Outro é o do ex-governador do Rio Anthony Garotinho, um recordista em prisões: cinco. Modesto, ele afirma que foram apenas quatro.

Rejeitado por vários partidos, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha —também íntimo da cadeia e beneficiado pela mudança na Lei da Ficha Limpa aprovada no Congresso— filiou-se ao Republicanos, partido da Igreja Universal. Faz campanha pelo interior de Minas Gerais pegando carona nas pregações dos pastores Valdemiro Santiago e R.R. Soares: "Quando a gente acha que a política é coisa do Diabo, a gente deixa a política para o Diabo".