Pedro Martinelli quase morreu na guerrilha da Nicarágua, fotografou os funestos voos da morte no incêndio do Joelma e clicou João Paulo 2º na rua dias antes de sua improvável nomeação como papa.

Momentos como esses recheiam "Olho no Mundo", livro que conta a trajetória de Martinelli, um dos ícones do fotojornalismo brasileiro.

Escrita por Carlos Maranhão, a obra é repleta de histórias saborosas. Não por coincidência, Maranhão organizou a biografia a partir de conversas temperadas pela culinária de Martinelli, craque também com as panelas.

Não é exagero dizer que a jornada se confunde com a própria história do fotojornalismo moderno no Brasil, já que coincide com um dos períodos mais prolíficos da mídia escrita.

Martinelli atuou intensamente na imprensa durante as décadas de 1970 a 2000 —época de estruturação profissional das grandes redações e da modernização do design gráfico. Nesse período, fotografou desde guerras e Copas do Mundo até ensaios para a revista Playboy.