O primeiro dia do horário eleitoral gratuito nas eleições de 2026 começou nesta sexta-feira sem um dos quatro candidatos ao governo do Rio que originalmente teriam direito ao espaço na propaganda em rádio e televisão. O ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos), que teria 1 minuto e 6 segundos e seria o primeiro a aparecer no bloco destinado à disputa pelo Palácio Guanabara, ficou fora da estreia após uma decisão liminar do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ). A propaganda para governador começou às 7h16 no rádio. Na televisão, a estreia do bloco para o cargo está prevista para as 13h16 desta sexta-feira. Pela ordem inicialmente definida. Garotinho seria seguido por Eduardo Paes (PSD), Douglas Ruas (PL) e William Siri (PSOL). Garotinho fora do horário eleitoral Na quinta-feira, o TRE-RJ decidiu, em caráter liminar, suspender os repasses do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha à candidatura do ex-governador. A decisão também impede, por enquanto, sua participação em debates de rádio e televisão e o uso do horário eleitoral gratuito. A ação foi movida pela coligação de Eduardo Paes, que pediu, em tutela de urgência, a suspensão dos recursos e a retirada de Garotinho dos debates e da propaganda eleitoral. Relator do caso, o desembargador Bruno Bodart votou pelo acolhimento do pedido, incluindo a devolução de valores já repassados enquanto a candidatura não for julgada de forma definitiva. O voto foi acompanhado por unanimidade pelos demais integrantes da corte. O entendimento que prevaleceu na decisão é o de que Garotinho estaria inelegível por oito anos em razão de uma condenação por improbidade administrativa que transitou em julgado em 2025. O caso remonta ao governo de sua esposa, Rosinha Garotinho, entre 2003 e 2007, período em que ele era secretário estadual. A defesa do ex-governador sustenta, porém, que o prazo da inelegibilidade começou a contar em 2018, quando houve condenação em segunda instância. Por esse entendimento, a punição já teria se esgotado e não impediria sua participação nas eleições. No início da tarde de quinta-feira, o Ministério Público Eleitoral enviou ao TRE-RJ parecer defendendo a inelegibilidade do ex-governador e ressaltando o entendimento de que a condenação transitou em julgado em 2025. Horas antes. Garotinho também havia sofrido uma derrota no Tribunal de Justiça do Rio, onde pedia a revisão de parte da condenação que está no centro da discussão eleitoral. Paes estreia com segurança Detentor do maior tempo de propaganda entre os candidatos, com 4 minutos e 50 segundos, Paes iniciou sua campanha no rádio com foco na segurança pública. O candidato afirmou que os moradores do estado perderam o direito de ir e vir e atribuiu a situação à corrupção do grupo político que, segundo ele, tomou o “estado de assalto há oito anos”. A propaganda do ex-prefeito mantém dois dos principais eixos que ele vem adotando na campanha: a defesa da segurança pública como prioridade e as críticas aos grupos políticos que comandaram o Rio a partir de 2019. Na televisão, Paes também deve apresentar o diagnóstico de uma crise que, segundo sua campanha, atinge as áreas política, institucional, fiscal e de segurança. O candidato pretende associar Douglas Ruas às gestões de Wilson Witzel e Cláudio Castro e deve citar também a crise política envolvendo o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, preso em uma investigação que apura suspeitas de ligação entre a política e o crime organizado. Ruas aposta no 'Rio real' Douglas Ruas, segundo colocado em tempo de propaganda, com 2 minutos e 29 segundos, estreia na rádio e televisão com uma peça centrada na própria trajetória e na apresentação do que chama de “Rio real”. A propaganda é construída a partir da ideia de que existem dois estados: um representado pelos cartões-postais, pela orla e pelo turismo e outro formado por regiões como a Baixada Fluminense, São Gonçalo, as zonas Norte e Oeste e o interior. “Meu nome é Douglas Ruas, tenho 37 anos, sou filho do Rio que não sai nas novelas”, afirma o candidato no áudio. A peça relembra a trajetória de Ruas em São Gonçalo e sua passagem pela Secretaria de Cidades, quando, segundo a propaganda, obras foram levadas a mais de 70 municípios. O candidato, no entanto, não destaca no vídeo que ocupou o cargo durante o governo de Cláudio Castro. Na sequência, a campanha apresenta a eleição como uma disputa entre “dois Rios e duas gerações”. Ruas tenta associar Paes a políticos que governaram o estado e o país nas últimas décadas, exibindo imagens do ex-prefeito ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos ex-governadores Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão. William Siri, da Federação PSOL/Rede, encerra o bloco. Ele tem 32 segundos de propaganda. O horário eleitoral gratuito vai até 1º de outubro. De segunda a sábado, serão 50 minutos diários de propaganda em rede, divididos em dois blocos de 25 minutos no rádio e na televisão. Além da propaganda exibida em blocos, os candidatos e partidos terão direito às chamadas inserções eleitorais. A diferença é simples: enquanto o horário eleitoral em bloco reserva uma faixa inteira da programação para a campanha, as inserções são propagandas curtas exibidas no meio da programação normal das emissoras de rádio e televisão. Essas peças podem ter diferentes durações e entram entre os programas e intervalos comerciais. Ao todo, serão destinados 70 minutos diários para inserções de 30 e 60 segundos, distribuídos de segunda a domingo, entre 5h e meia-noite. Veja a programação eleitoral na TV e rádio Segundas, quartas e sextas-feiras: propaganda para senador, deputado estadual e governador. No rádio, os blocos começam às 7h e 12h, com sete minutos para senador, seguidos de nove minutos para deputado estadual e, na sequência, nove minutos para governador. Na televisão, a programação começa às 13h e 20h30, na mesma ordem. Terças, quintas e sábados: propaganda para presidente da República e deputado federal. Cada cargo terá 12 minutos e 30 segundos por bloco. No rádio, os candidatos à Presidência vão ao ar às 7h e 12h, seguidos pelos candidatos a deputado federal. Na televisão, a propaganda presidencial começa às 13h e 20h30, seguida pelo horário destinado aos candidatos à Câmara dos Deputados.